sábado, novembro 05, 2011

As fotografias de Frida Kahlo no Museu da Cidade





































Guillermo Kahlo, 1892. Foto: Nicolás Winther





Guillermo Kahlo, autoretrato



Guillermo Kahlo


Guillermo Kahlo na sua biblioteca



Guillermo Kahlo, 1907, autoretrato









Catedral, Cidade do Mexico, 1922. Foto: Guillermo Kahlo














































































O Ballet de Zapata




Diego Rivera no seu estudio, 1940


Tina Modotti e Edward Weston, 1924






Tina Modotti fotografada por Edward Weston, 1924



Instrumentos de carpintaria, 1929. Foto: Frida Kahlo



Radiografia de Frida Kahlo, 1954


Fotografias de Paulo Furtado.

Dia 5 de Novembro a partir das 18h00, lançamento de mais uma edição inc., desta vez uma imagem a cargo de Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman, que nos apresentará o seu projecto “Gone”.


Gone, Praga, 27/08/2011, Paulo Furtado, edição de 25, impressão jacto de tinta em papel fine art, 30x40cm, 2011

“[Gone] é uma série de fotografias de quartos de hotel, pela manhã, antes de partir para outra cidade, para outra viagem, para outro concerto. O quarto de hotel é o único refúgio de um músico em Tour, em constante mutação.” – Paulo Furtado


Inc. livros e edições de autor
Rua da Boa Nova, 168
4050-101 Porto

sexta-feira, julho 08, 2011

Entre margens" - O Douro em imagens.


Céu Guarda, Inês d’Orey, Luísa Ferreira e Pauliana Velente Pimentel são as fotógrafas responsáveis pela união das margens do Douro.


A partir de quinta-feira, a avenida dos Aliados e a Praça dos Leões, no Porto, recebem a exposição "Um Douro no Feminino", com 9 das melhores fotografias de cada uma das 4 profissionais.


A exposição está integrada no projecto "Entre Margens", previsto para 3 anos, em que estão previstas cerca de 60 exposições no espaço público, complementadas por cerca de 100 espectáculos e 12 colóquios. As exposições terão lugar nos centros urbanos e históricos de seis cidades da Região do Douro: Lamego, Mirandela, Peso da Régua, Porto, Santa Marta de Penaguião e Vila Real.


In jornal "i"





"Um Douro no feminino"




TERRITÓRIOS DO PRAZER, Luísa Ferreira

"O Douro é uma monumental obra humana construída para o prazer.Construída pelo Homem maravilhado.De S. Leonardo de Galafura, Miguel Torga avistou o Cima Corgo e rendeu-se pela poesia.Desde os esculturais socalcos às iguarias gastronómicas, do mundialmente afamado vinho generoso às hospitaleiras casas de lavoura, é eminentemente um território dos sentidos.Este trabalho desenvolveu-se entre margens numa radial ao Peso da Régua."



FERREIRINHA, Pauliana Valente Pimentel

"Vinicultora do Douro e mulher de ferro, a D. Antónia (Ferreirinha) celebra este ano 200 anos. Este trabalho é uma homenagem a todas as mulheres que estão ligadas à vinha no Douro. Um retrato actual no feminino de pessoas que sempre viveram da vinha, trabalhadoras rurais, enólogas e proprietárias das quintas. Mulheres que fazem do vinho do Douro uma obra de arte. Foram fotografadas 22 mulheres o seu contexto vivencial em Peso da Régua, Canelas, Galafura, Cambres (Lamego), S. Eufémia, Aldeias (Armamar), Folgosa, Vale Mendiz, Pinhão, Sabrosa, Covas do Douro e Vila Real."



NA VIDA REAL, Céu Guarda



“Nós não somos daqui, ao fim de semana vamos para casa…Dividimos uma casa e temos 2 coelhos…Jogamos às carta , vamos ao Bowling cantar… ao Karaoke…Não é mau estudar aqui…Não sei onde vou arranjar trabalho…Vou ficar…Vou voltar…Estamos um bocado isolados…Estudar aqui é mais barato…O ar é bom.”




DOURO INDUSTRIAL, Inês D'Orey


"O Douro, visto por dentro, é mais que socalcos, vinhas, pedra e rio. Para lá das paisagens naturais estonteantes, existe um Douro onde os produtos que nascem da sua terra são transformados e devolvidos às suas gentes.Esta é uma viagem pelos espaços interiores das indústrias alimentares e vinícolas da região do Douro. Espreitam-se os fornos onde são fumadas as alheiras de Mirandela. Em Lamego, registam-se a linha de montagem dos queijos e os armazéns onde maturam os presuntos. No Peso da Régua e em Santa Marta de Penaguião, fotografam-se os depósitos antigos e modernos das quintas vinhateiras, onde o seu vinho pacientemente envelhece. Em Sabrosa, observa-se a arquitectura contemporânea dos armazéns de vinho.Esta é uma viagem pelo Douro Industrial."





Fotografia de Rita Almendra.



Fotografia de Ana Costa.



Fotografia de Vera Lúcia.



Fotografia de Miguel Schreck


Fotografia de Marcos Oliveira.



Fotografia de Armindo Dias.

segunda-feira, junho 20, 2011

Morreu Luísa Costa Dias, alma e motor do Arquivo Fotográfico de Lisboa



Luísa Costa Dias foi a “alma”, a principal impulsionadora de tudo o que se realizou no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. Comissariou dezenas de exposições e esteve na origem das bienais Lisboa Photo (2003, 2005). Morreu ontem no Hospital Pulido Valente. Tinha 55 anos e sofria de cancro no pulmão.


Os que a conheciam e que com ela trabalharam apontam-lhe uma “personalidade discreta”, alguém que “preferia trabalhar nos bastidores”, mas reconhecem-lhe “um papel fundamental” tanto na organização de exposições e edição de livros de fotografia como na angariação de novos espólios fotográficos que, desde 1994, não pararam de entrar no Arquivo. “Aquilo que o Arquivo foi, a dinâmica que conseguiu, deve-se ao trabalho e dedicação da Luísa. Foi, sem dúvida, a alma desta casa”, disse ao PÚBLICO Luís Pavão, fotógrafo e conservador da colecção do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.

O comissário Sérgio Mah (que foi o nome escolhido por Luísa Costa Dias para dirigir as duas edições do Lisboa Photo) também sublinha o trato “discreto e elegante” e lembra a “dedicação e proximidade” com que gostava de trabalhar nos projectos em que se envolvia. “Fazia as coisas acontecerem mesmo quando enfrentava enormes dificuldades”, lembra Mah.

Luísa Costa Dias comissariou muitas das exposições que passaram pelo Arquivo, das quais se destacam, nos últimos anos, Lisboa à Beira Tejo (2010), Alfredo Cunha Fotografias (2010), Da Avenida D. Amélia à Avenida Almirante Reis (2011). Foi ainda uma das principais mentoras da LisboaPhoto, Bienal de Fotografia, com duas edições (2003 e 2005), festivais nos quais comissariou as exposições Colecção Ferreira da Cunha (2003) e Corpo diferenciado (2005), esta última sobre o acervo fotográfico do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. Nos últimos tempos, trabalhava na exposição Avenida de Roma Fotografias 1950-2011. Como comissária independente, destaca-se a exposição Oui Non sobre a obra de Gérard Castello-Lopes, no Centro Cultural de Belém, em 2004. Como comissária, Luísa Costa Dias tinha preferência “pela fotografia dita de autor, mais directa e documental”, lembra Pavão.

”Fotografias íntimas e transparentes”

“A Luísa deixou de olhar por si para olhar pelos outros”, diz o fotógrafo José Manuel Rodrigues aludindo ao seu trabalho como fotógrafa que é pouco conhecido. “As fotografias da Luísa são íntimas e transparentes como ela gostava de ser”. Rodrigues destaca a “serenidade, a competência e a honestidade” de Luísa Costa Dias que era das poucas pessoas que visitava o seu atelier com regularidade para saber novidades do seu trabalho. “Chegava e dizia: ‘Mostra lá o que andas a fazer’. Queria ver tudo - provas, negativos, contactos. Encorajava-nos a fazer coisas.” Além disso, “tinha uma grande paciência com os fotógrafos”.

A investigadora Emília Tavares sublinha o mérito de Luísa Costa Dias na recolha e descoberta de novos espólios para a fotografia portuguesa. “Desde sempre, esse grande trabalho deve-se à Luísa. Trabalhava na sombra, mas grande parte do acervo do Arquivo é fruto do seu empenho”, disse ao PÚBLICO. Tavares lembra “um trabalho fundamental para o conhecimento e para a construção de uma memória histórica e crítica da fotografia portuguesa”. Numa nota enviada ao PÚBLICO, a investigadora, amiga de Luísa Costa Dias, recorda a directora do Arquivo como alguém com “uma sensibilidade muito especial para reconhecer a qualidade da obra fotográfica e o talento das pessoas que ao longo dos anos trouxe a colaborar consigo”.

Paula Figueiredo, fotógrafa, investigadora e ex-responsável do serviço educativo do Arquivo, reconhece também que Luísa Costa Dias era “a alma” daquela que foi uma das mais activas instituições ligadas à fotografia em Portugal nos últimos anos. “Era muito exigente em relação a tudo o que fazia.”

O corpo de Luísa Costa Dias estará em câmara ardente esta segunda-feira a partir das 12h00 na igreja de S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa. O funeral realiza-se na terça-feira e sai às 10h30 para o cemitério de S. João do Estoril.

In jornal "Público" de 19.06.2011, por Sérgio B. Gomes

segunda-feira, junho 06, 2011

"a minha casa é onde estás", exposição de fotografia de Filipe Casaca.




PRESS RELEASE


A Galeria Pente 10 - Fotografia Contemporânea inaugura no dia 7 de Junho, terça-feira, às 19h00, a exposição “a minha casa é onde estás”, de Filipe Casaca. A exposição consiste em 15 provas únicas, a preto e branco, impressas pelo fotógrafo. Será lançado o livro “a minha casa é onde estás”, edição do autor.




“a minha casa é onde estás reúne um conjunto fotografias de Filipe Casaca feitas ao longo de um período de 3 anos e que reflectem sobre o tema da intimidade. É um largo retrato de uma ambiência doméstica, de uma vivência íntima de um espaço partilhado entre duas pessoas. Não é um tema fácil ou recorrente e a comprová-lo temos raras presenças temáticas que atravessam as obras de outros fotógrafos. Aparecem sempre fotografias isoladas, ao longo do tempo, mas raramente organizadas num corpo desta natureza. O conjunto apresentado traz-nos imagens poderosas, onde espaço e protagonistas nos surgem como matéria esculpida do negro para a luz.” (Francisco Feio)




Filipe Casaca nasceu em Lisboa, em 1983. Frequentou a Faculdade de Belas Artes em Artes Plásticas-Escultura e o Instituto Português de Fotografia. Em 2008 expôs na galeria P4 a série “Telegrama”. No mesmo ano desenvolveu “Habitats” em parceria com um doente e artista do Hospital Júlio de Matos, que integrou uma exposição colectiva no Pavilhão 28. Em 2009 foi seleccionado para os Encontros de Imagem de Braga. A série “a minha casa é onde estás” foi exposta na K-Galeria em 2010 e é agora publicada e lançada em livro na galleria Pente 10.




Está representado em várias colecções públicas e privadas, nomeadamente na BES ART – Colecção Banco Espírito Santo.




GALERIA PENTE 10

Travessa da Fábrica dos Pentes, 10 (ao Jardim das Amoreiras)

1250-106 Lisboa

INAUGURAÇÃO: 7 de Junho, terça-feira, às 19h00

Patente ao público de 7 de Junho a 31 Julho de 2011

sexta-feira, maio 20, 2011

Exposição "Fronteiras" - Encontros de Fotografia de Bamako.





Uma exposição na Gulbenkian mostra 180 fotografias e vídeos de fotógrafos e artistas africanos (com uma afro-americana à mistura). É a África contemporânea das migrações, das fronteiras herdadas da colonização, das viagens impossíveis e dos vistos improváveis.


Duas gerações para uma fotografia. Duas mulheres que facilmente imaginamos mãe e filha posam para a objectiva de Arwa Abouon, deixando que o tecido estampado da sua roupa se confunda com o papel de parede, tornando impossível distinguir, de imediato, o contorno dos seus corpos. A fronteira que as separa é a do tempo ou, se olharmos para o lado e as confrontarmos com o pai e o filho que o outro díptico deste líbio retrata, a do género.


Na exposição que abriu na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, as "Fronteiras" não estão só nos mapas - estão também na cabeça, na legislação que restringe os direitos das mulheres, nas guerras que separam etnias e famílias, nas tradições que fazem de um albino um mau presságio.


"Tudo nesta fotografia parece certo", diz António Pinto Ribeiro, comissário de "Fronteiras", exposição que integra até 28 de Agosto o programa Próximo Futuro e que foi criada pela Bienal Africana de Fotografia de Bamako. "A composição, o tema do diálogo entre duas gerações de mulheres que vivem num país em que muitas vezes é duro ser mulher, a tensão que se adivinha antes e depois da fotografia."


Tensão é uma palavra crucial nesta exposição produzida no Mali que junta 180 fotografias e vídeos de mais de 50 artistas de 23 países africanos (mais uma afro-americana, Ayana Jackson), do Egipto à África do Sul, passando pelo Chade, o Sudão, a Costa do Marfim e o Burkina Faso. Imagens impressionantes de crianças que vivem debaixo de uma ponte na Nigéria ao lado de outras que registam o "glamour" das festas de Nairobi. Em comum os rostos, as pessoas. "A fotografia contemporânea africana é habitada, não está cheia de 'não-lugares' como a que vemos habitualmente nas galerias americanas e europeias", acrescenta Pinto Ribeiro, responsável pela montagem da exposição em Lisboa.


Michket Krifa, uma das comissárias dos Encontros de Bamako, não gosta de falar em "fotografia africana" porque teme que leve a generalizações erróneas, uma vez que o panorama varia muitíssimo de país para país, sendo os pólos clássicos de maior desenvolvimento da fotografia a África do Sul, Moçambique, a Nigéria, o Mali e o Egipto, e os emergentes a República Democrática do Congo, a Etiópia, a Tunísia, a Algéria e Marrocos. "Quisemos mostrar a diversidade de abordagens - documentais, jornalísticas, plásticas - à fronteira", explica ao Ípsilon via "email". "Mas hoje as temáticas são tratadas em África como em qualquer outro lugar devido à mundialização e às problemáticas sociais, ambientais e políticas."


Federica Angelucci, curadora de fotografia numa importante galeria da Cidade do Cabo, também prefere evitar criar um rótulo para definir a fotografia que se faz no continente. Diz que "a noção de africanidade é extremamente fluída e demasiado ilusória", mas reconhece que, na maioria das vezes, os africanos que se dedicam à fotografia estão muito interessados na condição humana, embora façam experiências com a abstracção e outras formas.


Angelucci, que estará em Lisboa para uma série de "workshops" e debates do Próximo Futuro (programa em www.gulbenkian.pt), viu "Fronteiras" em Bamako em 2009 e na Cidade do Cabo em 2010 e garante que a força da exposição está na abordagem conceptual ao tema e numa produção que rejeita clichés sem deixar de dar espaço à tradição (como os retratos de estúdio), mostrando ao mesmo tempo novas maneiras de olhar o mundo. "Os fotógrafos estão conscientes dos conflitos armados, das guerras étnicas, dos milhões de refugiados... É natural que o imaginário produzido seja permeável a tudo isto."


Para dar exemplos, esta especialista em fotografia contemporânea faz questão de falar do sudanês Ali Mohamed Osman e do nigeriano Uche Opkpa-Iroha - o da ponte que serve de casa a dezenas de crianças -, que lidam com os fluxos de circulação e a exclusão, a partir do território de comunidades marginais.


No trabalho destes fotógrafos e de muitos outros que expõe na sua galeria ou sobre os quais escreve, "as fronteiras entre uma abordagem documental, supostamente neutra, e a prática artística são muito difusas".



Um mapa escondido


Bouchra Khalili nasceu em 1975, em Casablanca, mas hoje, depois de um calvário burocrático, tem também nacionalidade francesa. É uma das 11 mulheres com obras expostas em "Fronteiras". Quando recebeu o "email" do Ípsilon estava a trabalhar em Beirute, no Líbano, e foi a partir daí, a pensar nas exposições que faz em Inglaterra e nos Estados Unidos ou na próxima Bienal de Veneza, que falou da internacionalização, do projecto "Mapping Journey", da condição de mulher, africana e muçulmana, dos vídeos que lhe permitem denunciar a clandestinidade humilhante a que são obrigados milhares de migrantes. A obra de Khalili também vive nesta fronteira entre o documental e o artístico, mas a única coisa que parece interessar-lhe é o seu capital de denúncia e de mobilização.


Em "Mapping Journey" - "work in progress" que começou em 2008 e já a levou a Marselha, Ramallah, Bari, Roma e Barcelona -, a artista marroquina trabalha os fluxos migratórios a partir de histórias pessoais que aproximam os seus protagonistas de quem os ouve no contexto de um museu ou de uma galeria. Esta semana é impossível fazê-lo sem pensar nas 61 pessoas que terão morrido de fome e de sede numa embarcação que partiu de Trípoli com destino à ilha italiana de Lampedusa e que durante duas semanas vagueou pelo Mediterrâneo, com o conhecimento da NATO e das autoridades de Itália e de Malta.


As migrações clandestinas, realidade que para Khalili marca o dia-a-dia do sul do Mediterrâneo, da África e do Médio Oriente, são o fio condutor de "Mapping Journey", "um corpo de trabalhos que revela um mapa escondido, construído à volta de rotas ilegais".


Ao contrário de Angelucci e de Krifa, a jovem artista acredita que grande parte do que faz está enraizado no lugar - e no contexto - em que nasceu. "Quando se vem de onde eu venho - nasci em Marrocos, que ora está em África, ora está no mundo árabe - é difícil escapar às questões políticas. Um artista deste lado do mundo não pode fugir a esta complexidade."



Fronteiras intransponíveis


Kole Omotoso, escritor e crítico nigeriano de 68 anos que dá hoje uma das grandes lições do Próximo Futuro ("The Endangering Ambiguity of the Wabenzi Tribe: Next Futures Africa", às 14h30), diz que as migrações são apenas um dos muitos problemas do continente - é preciso não esquecer "o desperdício de matérias-primas, a fuga de cérebros, a falta de uma verdadeira educação, todo o tipo de discriminação, crimes contra as crianças do sexo feminino, a imbecilidade política, o constante mendigar de ajuda externa" - e que as fronteiras herdadas dos colonizadores e da conferência de Berlim de 1884-85 são hoje praticamente intransponíveis, separando famílias e grupos étnicos. "Vejam-se as fronteiras entre a Nigéria e a República do Benim que dividem os povos yoruba", exemplifica Omotoso, garantindo que, no entanto, a maior dificuldade que decorre das fronteiras africanas é o facto de tornarem as viagens no continente, a comunicação e a socialização "virtualmente impossíveis ou a preços proibitivos".


"Hoje as fronteiras criminalizam até a mais natural das actividades - levar alguns inhames e milho a familiares que vivem ali mesmo ao lado", diz, falando de outra fronteira imaterial, a da energia. "O fornecimento de electricidade na Nigéria é epiléptico. Em mais de 40 anos, nenhum governo - militar ou civil - conseguiu resolver o problema. Entretanto, toda a gente tem de comprar dois ou três geradores e as fábricas funcionam a 25 por cento da sua capacidade. Isto é uma loucura." Basta pensar que uns podem comprar geradores e outros não para traçarmos mais uma linha divisória.


Se há uma coisa em que todos concordam, é que para um artista africano é mais fácil viajar para a Europa e para os EUA do que para muitos países do continente. Ainda assim, poucos são os que se internacionalizam, apesar de o número ter vindo a aumentar, graças aos festivais e bienais de fotografia que vão surgindo, como os de Lagos e de Addis-Abeba.


"Muitos destes fotógrafos só expõem nos centros culturais estrangeiros dos seus países", diz Pinto Ribeiro, mas outros já entraram no circuito internacional, como Zac Ové e as suas fotografias dos rituais de Trindade e Tobago, Mohamed Bourouissa e a periferia de Paris, Lilia Benzid e o cemitério tunisino de Zaafrane em que as pedras tumulares parecem vestidas.
A questão da circulação é muito sensível, sublinha a curadora Federica Angelucci, porque "a prática dos fotógrafos contemporâneos é cada vez menos definida por um conjunto de atributos visuais, e cada vez mais pelos contextos de circulação do seu trabalho".


Depois de passar por Lagos, por Barcelona e pela Cidade do Cabo, "Fronteiras" mostra em Lisboa a memória que as guerras em África deixaram nos edifícios transformados em ruínas, os auto-retratos incómodos de Robert Mafuta, a ironia mordaz do camaronês Barthélémy Toguo, que denuncia os líderes africanos e a sua exploração irresponsável dos recursos naturais.


Depois de percorrer a exposição, ainda queremos saber mais sobre aquele pastor que desenhava sombras e passou a fotografá-las (Saïdou Dicko, Burkina Faso), sobre "Miss Divine" e a homossexualidade na África do Sul (Zanele Muholi), sobre o rapaz de Ramallah que tem de percorrer, clandestino, os 14 quilómetros que o separam da namorada que vive em Jersualém Leste, cartão postal da ocupação dos territórios palestinianos que Bouchra Khalili testemunhou.


Jornalista Lucinda Canelas, in jornal "Público" de 11 de maio de 2011.




Fotografia: Saïdou Dicko (Burkina Faso), Le voleur d’ombres, 2005-2009


Galerias de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Gulbenkian.


Patente ao público até dia 28 de Agosto de 2011.