
José M. Rodrigues é representado pela Galeria Pente 10 - Fotografia Contemporânea, Travessa da Fábrica dos Pentes, 10, 1250-106 Lisboa. Tel. - 91 885 15 79 info@pente10.com http://www.pente10.com/
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Flor Garduño, mulher fantástica Manuel Álvarez Bravo
os espinhos são sofrimento?
Agradecimentos à Pente 10 e especialmente a Catarina Ferrer por ter permitido a divulgação da entrevista a Flor Garduño no Grand Monde e no Blog da APPh. – Associação Portuguesa de Photographia..
Para ver até 9 de Agosto de 2008
3.ª a Sábado das 11:00 às 19:00
Travessa da Fábrica dos Pentes n.º 10
Metro Rato
Thomaz Teixeira Nunes ao lado a filha Laurentina Nunes Siza, as fotografias (albuminas) de cerca de 1865, foram posteriormente coladas nos cartões do estúdio que Manoel Nunes Siza abriu em Barbados nas Ilhas das Caraíbas. © Colecção Teresa Siza
A filha do carcereiro
Quando em 1997 Manuel Maria Carrilho convidou Teresa Siza para estar à frente do maior projecto fotográfico até então sonhado para Portugal e que culminaria na criação do Centro Português de Fotografia – CPF, na Cadeia da Relação do Porto, estava ela longe de imaginar os enredos à moda de Camilo que a espreitavam.
Em 2001 Teresa Siza adquiriu na Livraria Histórica Ultramarina em Lisboa – espaço que, infelizmente, já desapareceu, e onde reuniam alguns intelectuais à conversa com José Maria Costa e Silva (Almarjão) -, um Almanaque de Anúncios de 1873, onde descobre que Tomás Teixeira Nunes (Braga?-?), seu trisavô, era o carcereiro da Cadeia da Relação do Porto em 1873. Até então Teresa desconhecia este dado.
Tomás Teixeira Nunes, o carcereiro da Relação, tinha dois filhos: o fotógrafo Henrique Nunes (1820-1882), com estúdio desde 1863 na Rua das Flores, n.º 152, no Porto, e onde, por ventura, terá trabalhado Júlio Augusto Siza (Braga,1841-Matosinhos, 1919), antes mesmo de casar com a filha do carcereiro, Laurentina Augusta Nunes (1839-1878). Quando casou em 1865, a noiva tinha 26 anos e vivia com o pai na Relação, como aliás consta da certidão de casamento.
Em 1862 o trisavô de Teresa Siza, Tomás Teixeira Nunes, ainda não seria o carcereiro da Relação do Porto – pelo que, possivelmente, aí não conheceu Camilo Castelo-Branco. O escritor não se refere a Tomás Teixeira Nunes nas Memórias do Cárcere escritas na cela n.º 12 daquela cadeia num período conturbado da sua existência e em que a escrita funcionou como um salvatério para a sua alma amargurada.
No entanto, no curso da narrativa, editada em 1862 mas redigida enquanto durou a detenção (1/10/1860 a 16/10/1861), Camilo refere-se, pelo menos três vezes, a um carcereiro ("Fui visitado pelo carcereiro Nascimento..."; " ... tinha injuriado o inofensivo Nascimento" e "O carcereiro era um alferes de veteranos... Era de supor que o senhor Nascimento (já lá está na presença do Rei dos reis)...". Cita, igualmente, e por duas vezes um outro carcereiro ("Quando o carcereiro interino, um tal Guimarães - despedido depois como ladrão -"; "... demitindo-o virtualmente por ladrão. Chamava-se ele José Francisco Guimarães...")*.
Possivelmente Tomás Teixeira Nunes terá entrado ao serviço da Cadeia da Relação depois da libertação de Camilo e Ana Plácido. Se fosse anteriormente o carcereiro da Relação, teria, certamente, participado na autorização que permitiu as deambulações do escritor pelo estabelecimento o que facilitaria encontros - nem que fosse apenas de troca de olhares - com Ana Plácido, aí também enclausurada na ala das mulheres em virtude do caso de adultério de que ambos eram acusados. Teria, igualmente, conhecimento da autorização concedida a Camilo para, por motivos de saúde, sair a tomar ares na cidade, oportunidades que o escritor não perdia para arrostar a inimizade da burguesia portuense. Na cadeia, escreveu Camilo “Amor de Perdição”, um dos grandes romances da literatura romântica portuguesa.
Tomás Teixeira Nunes seria, então e igualmente, carcereiro de Abílio da Cunha Moraes (1825-1871), o relojoeiro/fotógrafo que daí partiu para o degredo em Angola em 1863, condenado por falsificar moeda e acusado de ter subornado meia Coimbra, de jornalistas a juízes. Abílio tornar-se-ia o primeiro da família Moraes a fotografar a África ocidental portuguesa. Os filhos seguir-lhe-iam os passos, primeiro Augusto César, depois José Augusto seguido por Joaquim Júlio e finalmente pelo irmão mais novo Alfredo Adelino Cunha Moraes. Mas estas são outras estórias, também envolventes, também na senda de enredos camilianos. Do que temos a certeza é de que o carcereiro Tomás Teixeira Nunes aí viveu, na Cadeia da Relação do Porto, entre 1865 e 1873.
“Os Estados Unidos da América, por acto do seu Congresso, autorizaram a Comissão do Mundo Colombiano na Exposição Internacional que teve lugar na cidade de Chicago, Estado de Illinois, no ano de 1893, premiar com uma medalha pelo mérito específico descrito em baixo em nome de um júri que exerce o papel de examinador, após ter sido encontrado um grupo de jurados internacionais, a Júlio Siza, Georgetown, Guiana Britânica.”
W.F. Terry, (President of Department Committee); Alice M. Fletcher, (Individual Judge); (?), (Director General); (?), (Chairman Executive Committee of Awards); T. W. Palmer, (President, World's Columbian Commission); J. J. Dickinson, (Secretary, World's Columbian Commission).
No diploma da medalha de Mérito que recebeu em Chicago está descrita a versatilidade do fotógrafo, permitam-me expor aqui a tradução de uma parte desse documento que concerne ao trabalho do fotógrafo português:
“Esta colecção de fotografias representa as diversas raças e gentílicos da Guiana Britânica. Os chineses e os coolies, ou indianos orientais, representam as importadas classes trabalhadoras; o negro, a raça herdada dos tempos da escravatura africana; as tribos de índios da floresta, savana e costa, a etnia nativa do país; os tipos de descendentes de espanhóis, franceses, crioulos, escoceses e ingleses. A série mostra adultos e crianças e proporciona um interessante estudo das raças e das modificações climáticas. Existem imagens de habitações nativas, assim como cenas de floresta, além de testemunhos do actual e considerável desenvolvimento do país que está sob a influência dos europeus. A totalidade da colecção é um valioso contributo para a compreensão do povo da Guiana britânica, assim como do seu ambiente.”
“Fotografias que ilustram as casas, indústrias e pessoas da Guiana Britânica”
Pela descrição são as imagens reunidas num álbum com 86 fotografias que se encontra na Cambridge University Library: Royal Commonwealth Society Library. As que seguramente são de Siza representam: a High Street e a Câmara (Town Hall) de Georgetown (248x199mm); uma “vista” de uma aldeia índia nas margens do rio Masuruni, com um grupo de índios e um europeu posando em frente de uma cabana (242x191mm); uma sepultura de índio Orinoco numa clareira, com o cadáver envolto em folhas de palmeira e amarrado a um cavalete de madeira, vendo-se ainda 3 índios ao fundo (171x235mm); um acampamento de pesquisadores de ouro numa clareira, com trabalhadores europeus e da Guiana posando para o fotógrafo em frente das tendas; um homem ao fundo mostra uma bandeira inglesa (243x193mm).

Fotografia Paulo Catrica
Palestra/visita ao Edifício da Ex-Cadeia da Relação do Porto
“Palácio da Relação e Cadeia do Porto: Percursos, espaços e memórias”
Pretende-se nesta Visita/Conferência recordar a história do edifício, desde os objectivos que presidiram à sua construção, à sua funcionalidade ao longo de dois séculos, enquanto cadeia e tribunal. Nesse sentido durante a visita vão percorrer-se os espaços mais significativos, evocar memórias, lembrar personagens.