quarta-feira, junho 18, 2008





Edward Steichen no Ateneu Comercial do Porto


Estávamos em 1964, Edward Steichen (1879-1973) entrava-nos pela casa adentro com a exposição que comemorou em 1961 os seus 82 anos, 65 de actividade fotográfica, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Três anos passados, no Ateneu Comercial do Porto, são expostas as mesmas 163 fotografias, escolhidas entre 30 mil negativos e cópias, que constituíram o certame do MOMA. (Esta exposição esteve também na Dinamarca, Noruega, Suécia e Inglaterra).
Steichen nasceu em 1879, no Luxemburgo, filho de camponeses que emigraram para os Estados Unidos da América em 1881. Entre 21 de Outubro e 19 de Novembro de 1899 expõe, pela primeira vez, as suas fotografias no Segundo Salão de Filadélfia. Foi um dos fundadores da “The Photo-Secession” e, os seus trabalhos começam a aparecer na conhecida revista trimestral “Camera Work”.
Mais tarde, em 1902, viria a tornar-se amigo de Alfred Stiegliz e com este abriu a Gallery 291, na 5. º Avenida, onde acabaria por expor pintura e fotografia. Em 1947 é nomeado director de Fotografia do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, onde em 1955 é responsável pela exposição “The Family of Man”, vista posteriormente em todo o território americano e por mais de 9 milhões de pessoas em diversos países em quase uma centena de exibições.
Steichen trabalhou para os serviços fotográficos do exército americano tanto na primeira grande guerra mundial, como mais tarde já com 60 anos na segunda grande guerra mundial, onde se alistou como voluntário.
Destacou-se nas diversas correntes da fotografia que se lhe atravessaram na caminhada da vida. Em 1923 chefiou como fotógrafo na Vanity Fair e Vogue. Retratou Greta Garbo, Charles Chaplin, Rodin, Hollande Day, e muitos outros. Emotivo, procurou conseguir um lugar para a fotografia na arte.
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Solidão F. Holland Day, 1901
O fotógrafo Fred Holland Day (1864-1933) fotografado por Edward Steichen

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Numa edição da Thames & Hudson “Edward Steichen Lives in Photography”, Todd Brandow & William A.Ewing, 2007, mostram-nos o que estará na exposição organizada pela Foundation for the Exhibition of Photography - FEP, Minneapolis, e o Musée de l’Elysée, Lausanne. Esta mostra já esteve no Jeu de Paume, Paris entre 9 de Outubro e 30 de Dezembro de 2007; Musée de l’Elysée, Lausane, entre 17 Janeiro e 23 de Março de 2008; Palazzo Magnani, Reggio Emília entre 12 de Abril e 8 de Junho de 2008 e finalmente, a última das 5 exibições vai estar no Museu Nacional Centro de Arte Moderna Reina Sofía em Madrid entre 24 de Junho e 22 de Setembro de 2008. Bem ao jeito de quem passar por Madrid “lugar” onde está a decorrer a Photoespaña 2008.
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Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.
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Desdobrável da exposição no Ateneu Comercial do Porto, 1964
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domingo, junho 08, 2008

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Em 23 de Outubro de 1998 a revista Indy, suplemento do jornal Independente, publicava “Um olhar português”, um artigo de António Barreto sobre o fotógrafo Gérard Castello-Lopes. Assim escrevia o sociólogo / fotógrafo a propósito de “Lisbonne d’un Autre Temps” – (“Lisboa de Outras Eras”), uma exposição patrocinada pelo Instituto Camões de Paris em 1998.




“Um olhar Português”


Ao contrário de Fernando Pessoa, Gérard Castello-Lopes não tem heterónimos, tem vidas. Várias e sucessivas. Falo do fotógrafo, que é o que nos traz aqui, não do homem, cuja unidade parece maior e não cabe em meia dúzia de páginas. Para mal dos nossos pecados, e dos dele, espero, não nos deu tantos anos de fotografia quantos os que leva de vida adulta, como deveria ser. Começou a fotografar, em 1956, com mais de trinta anos, idade difícil para uma arte que exige candura na aprendizagem. Fotografou durante uma década, talvez menos. Depois, parou. Perdera a ousadia. Não se sentiu mais capaz de, afirmar, agredir as pessoas na rua, fotografar quem não o deseja. Tanto mais quanto considera que, naturalmente, ninguém quer ser fotografado. Em todo o caso, ninguém o quer ser de surpresa, por um estranho. Durante vinte anos, pôs de lado as Leicas. Percebe-se hoje, pelo que diz e como fotografa, que o sofrimento não o abandonou. Com, todavia, um lenitivo: estudou, pensou e amadureceu. Em meados dos anos oitenta, regressou. Para nosso bem. E dele, espero.
Os bons fotógrafos são quase todos tímidos. Conheço bastantes. Alguns são-no mesmo exageradamente. Julgo percebê-los. Fotografar substitui o acto de falar com os outros. Conhecê-los. Viver com eles. A fotografia, a imagem preservada, será o modo a que tímidos recorrem para manter uma qualquer relação com o real, congelado esteja este. Todavia, os tímidos não são grosseiros, bem pelo contrário. É, muitas vezes, a delicadeza que os fez assim. Os verdadeiros tímidos não têm medo, receiam magoar. O que quer dizer que se interessam: pelo mundo, eventualmente pelos outros. Creio que Gérard Castello-Lopes será um “grande tímido”, daqueles que esconde a insegurança na erudição e na ironia. Mas, estranhamente, fala mais do que fotografa. Escolhe as suas palavras, pesa as frases e selecciona citações. Com o mesmo cuidado com que deve separar as suas fotografias, elegendo as melhores, muito poucas, deixando sem vida a maior parte. O que há de singular, com Gérard, é que foi a timidez que o levou, não a fotografar, mas a deixar de praticar aquele que poderia ter sido o seu ofício. Esta será a primeira exposição daquele longo período de “pousio”, que aliás, preparou uma nova fertilidade. Mas há uma segunda explicação, que não sei se é dele, mas tenho por certa: o real limita a sua criação. Sempre foi. Este grande amador viu-se um dia preso pelo real, condicionado pela fotografia e fechado dentro das fronteiras do programa da “arte empenhada”. Sem necessidade de, da sua arte, fazer profissão, preferiu abandonar. Até que o mundo dos anos oitenta e uma sabedoria longamente decantada lhe fizeram ver que a criação não era pecado e que a fotografia, apesar do constrangimento essencial, permitia voar e autorizava que o espírito perdesse peso e amarras.



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Gérard, cultor de paradoxos, fotógrafo parcimonioso, falador impenitente, ajudou-me involuntariamente a consolidar uma opinião que escondi durante anos: uma imagem não vale mil palavras. Nunca gostei desta invenção de manipuladores de consciências, de publicitários e de provocadores de emoções fáceis. As imagens, e conheço algumas, podem estar na origem de choques emocionais, levar-nos às lágrimas, causar-nos nojo e estimular-nos na revolta. Mas não substituem a palavra. Enriquecem-na, provocam-na e complementam-na. Dispensá-la? Nem pensar. Hoje sabe-se que a imagem, com arrogantes pergaminhos de verdade, pode ser a maior mentira de que os homens são capazes. Com a imagem se faz, desfaz e refaz a história. Mesmo as fotografias realistas, testemunhos, verdadeiras na sua realidade, fortes na sua crueldade, podem esconder mundos e outras verdades. Ou antes, escondem mesmo. De todas as guerras, de todos os regimes políticos, de todos os amores sobram fotografias que não são tudo, nem toda a verdade, nem só verdade, por vezes nem sequer verdade.
As fotografias de Gérard pedem mil palavras. As dele, de preferência, a que, com volúpia, nunca se nega. Mas também as nossas. As de quem o vê ou ouve. As de quem observa as suas imagens. As dos outros artistas. E as dos poetas. Juntem-se estas fotografias lisboetas aos poemas, não de Fernando Pessoa, mas de Alexandre O’Neill, e veremos que é o casamento feliz. Não há fusão, igualdade ou sobreposição. Há sensibilidades próximas. E uma infinita e doce ironia de que só são capazes os que não se levam demasiado a sério. Apesar da diferença e do confronto. E do conflito.
A Lisboa de Gérard é quase a Lisboa de Pessoa. Física e cronologicamente. As ruas, o estendal, as crianças, os velhos e os burgueses podem ser os mesmos. Uma ou duas décadas separam ambas. Para o tempo, era pouco. Mas estética e humanamente, a Lisboa de Gérard não é a Lisboa de Pessoa. A cidade de Pessoa é triste, como ele próprio. Irreal como o poeta. “Sem corpo”, disse-me um dia Gérard. É uma cidade que Pessoa quereria “triste e alegre”, mas que é apenas a “cidade da minha infância pavorosamente perdida” (Álvaro de Campos). Lisboa para Pessoa é “o meu lar” (Bernardo Soares). Lisboa é uma aldeia com medo de parecer cidade. Lisboa é o amor da sua memória, a memória do nunca conheceu mas inventou. Lisboa é a aldeia e o espaço que nunca teve. Lisboa é geografia inventada para um espírito sem carne. Lisboa é um heterónimo.
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A Lisboa de O’Neill é uma cidade. Como a de Castello-Lopes. Matreira e empertigada, mas cidade. Ridícula e aperaltada, com vergonha de parecer aldeia, mas cidade. Decadente, mal arrumada e com roupa a secar ao sol, mas cidade. De calcário, estuque e azulejos. De casais a passear na Baixa. De chefes de repartições com fatos de três peças. De faias e malandros. Do cego sincero e do cego que vê com olho maroto. De miúdos a jogar à bola e de cavadores diante da Torre de Belém. É a cidade que olhamos, que ambos olharam com ternura e raiva. “Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui, na terra onde nasceste e eu nasci?” Tenho a certeza de que Gérard Castello-Lopes, ao ler este verso de Alexandre O’Neill, pensa que é consigo.
A liberdade de Castello-Lopes foi também a sua prisão. Pelo menos viveu-a como tal. Nos anos cinquenta em Portugal não se podia ser inocente. Nem a liberdade interior, refugio de tantos criadores, era possível. Ainda por cima, para alguém que queria viver com a imagem. A liberdade, nas décadas do realismo e do empenhamento político ou moral, era inseparável da solidariedade. Para ambas, o outro e os outros estavam no centro do mundo. Mas, nem todos, aliás. Não era a condição do homem que estava no centro do mundo. Mas o homem e sua condição. Quer dizer, o oprimido, o pobre, o trabalhador e o resistente. A “família do Homeme” parecia, e talvez fosse em certa medida, uma armadilha ideológica dos poderosos.
Se havia artes, letras e formas de expressão para as quais o empenhamento e o real eram difíceis ou discutíveis (a musica, a dança...), para outras, eram imediatos e necessários. Para a fotografia, era a sua essência. Naqueles tempos, o mito do real dominava. Nem tempos de certezas. A principal era real. Este bastava para denunciar as injustiças.
Por imperativo moral, por espírito do tempo e talvez porque lhe faltasse o talento da pintura, Gérard Castello-Lopes fez o seu programa de empenhado e realista. Estudou Cartier-Bresson e Eugene Smith, fez deles os seus mestres. Compreende-se agora que a eles nunca se limitou e que há, na sua fotografia, uma tensão libertadora, uma pulsão para transgredir as normas e as regras. Foi a sua primeira vida. Desempenhou-se durante aqueles poucos anos, magistralmente. São desse tempo as fotografias reunidas neste conjunto inspirado por Lisboa.
São um formidável testemunho daqueles anos portugueses. Não são documentário, que Castello-Lopes não foi jornalista. Mas são exemplo e prova da experiência social de um artista. Estas fotografias mostram já que o seu autor não está totalmente à vontade dentro de fronteiras do realismo militante. O universal espreita em cada imagem de circunstância. Em todas elas, a criação parece empurrar a realidade. Fotografar o trabalhador, o pobre, o digno oprimido ou o vilão satisfeito pode ser o mesmo que agredir o ser humano. Mas programa empenhado exige a agressão, pois permite o testemunho. O fim, nobre, vale os meios, duvidosos. O Fotógrafo rendeu-se. Abandonou a sua arte. Viveu mais de vinte anos a lutar contra o seu excepcional talento. São décadas de silêncio fotográfico. Ou de cegueira auto-infligida. Desta sua segunda vida sofremos nós: fomos esbulhados de uma obra de criação de que nunca seremos compensados. E os portugueses bem precisavam dela. Com reduzidas tradições fotográficas, com poucos talentos, com décadas de arte e cultura dirigidas (pelo Estado sobretudo, mas pela oposição também, por vezes...) e com uma eficientíssima censura do espírito, Portugal ficou pobre neste que é o modo de expressão do século XX, a imagem.



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A terceira vida de Gérard começou nos anos oitenta. Amigos sabedores e de gosto fotográfico exigente foram acordar as “imagens latentes”. Ou jazentes, com mais propriedade. Voltaram a dar-lhe vida, isto é, mostraram-nas. Viu-as quem quis, percebeu-as quem pôde. Os mais livres apreciaram-nas como grande descoberta.
Curiosamente, o efeito não foi o de uma ressurreição mas o de um renascimento. A exposição do seu passado, permitiu-lhe romper com ele. Com uma nova linguagem e um novo programa. Deixou de agredir as pessoas. Já não sente necessidade de, pela imagem, testemunhar a condição humana. Retornou com mais liberdade, a pulsão criativa. A natureza, os objectos, a matéria, as formas e as sombras povoam as suas fotografias contemporâneas. Mas atenção: olhe-se atentamente para estas novas imagens. Os corpos ganham movimento. A luz e a sombra transformaram-se em objectos e sujeitos de desejo. A leveza e a agilidade surgem como qualidades dos pesos mais pesados e dos materiais mais inertes. Não conheço uma fotografia que não tenha um vestígio animado. Seja pela humanidade dos objectos, seja pela presença discreta, afastada, imperceptível, do indivíduo e da sua acção. Seja porque Gérard, à sua conta, decidiu animar e soprar-lhe vida. Foi possível corrigir-se, mas manteve-se sem emenda.

Gérard Castello-Lopes por António Barreto, in revista Indy de 23 de Outubro de 1998, Jornal Independente
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quarta-feira, maio 28, 2008

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PhotoEspanha 2008 no Museu Colecção Berardo




Será que a decadência dos edifícios da época moderna nos está a dizer algo mais profundo?
Os trabalhos da exposição colectiva de fotografia UTOPIA incidem sobre um ponto comum – a arquitectura dos anos 50 e 60. Nessas duas décadas, vários arquitectos, espalhados pelos quatro cantos do globo, projectaram edifícios construídos para um mundo “utópico” e visionário. E esses mundos abriam portas a um novo tipo de espaço social: aberto, transitório, elevado, ligeiro, realizado com novos materiais como o cimento, o aço e o vidro. Tudo isto era o mundo moderno e ele seria desenhado pelos arquitectos, que acreditavam poder resolver, graças à tecnologia do aço e do cimento, as distintas necessidades contemporâneas. Hoje em dia, o futuro não parece nada utópico. Actualmente, ninguém acredita que alguma ideologia possa solucionar os problemas complexos com os quais somos confrontados.
UTOPIA é uma co-produção do Museu Colecção Berardo e do PhotoEspaña 2008 (XI Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais). Na exposição encontram-se representados Mathieu Pernot, Frédéric Chaubin, John Riddy, Stuart Whipps, Alex Hartley, Gayle Chong Kwan, Wiebke Loeper, Arni Haraldsson, Tacita Dean, Amir Zaki.

UTOPIA estará patente ao público de 29 de Maio até 27 de Julho, no Museu Colecção Berardo, em Belém.
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quarta-feira, maio 14, 2008

Comemoração do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) sob o lema genérico

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“Venha passar a noite com Camilo”

de 13 a 25 de Maio


“O Porto dos inícios do séc. XX: fotografias estereoscópicas de Emílio Biel”

Exposição


A mostra consiste na projecção de estereogramas de Emílio Biel pertencentes ao Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto acompanhada de material do acervo do CPF designadamente uma câmara estereoscópica da colecção António Pedro Vicente, estereoscopias e visores estereoscópicos. As peças de exposição serão acompanhadas de textos explicativos que darão a conhecer o princípio da estereoscopia, o percurso profissional de Emílio Biel e também a história custodial e arquivística desta colecção. Os visitantes terão ainda a oportunidade de percepcionar as imagens com recurso a visores estereoscópicos, apercebendo-se na noção de profundidade de duas imagens justapostas.

Uma exposição do Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em colaboração com o CPF/DGARQ.


Espectáculo “Cadeia”


Este espectáculo foi especialmente concebido para a assinalar o Dia Internacional dos Museus e adaptado ao espaço da ex-Cadeia e Tribunal da Relação do Porto que é, desde 2001, sede oficial do Centro Português de Fotografia. A partir de aspectos das vivências prisionais, com especial destaque para a figura de Camilo, mas ultrapassando a personagem do próprio escritor, encontraremos outros referentes, tais como, Ana Plácido ou o Zé do Telhado serão recriados por um grupo de actores que conduzirão os visitantes pelos espaços e vivências do passado neste emblemático edifício e suas envolvências.

Estão programadas duas sessões do espectáculo, que incluirá leituras dramatizadas. A primeira sessão terá início às 21.30h e a segunda às 23.00h. Às 00:00h será servido um Porto de Honra no Átrio da actual entrada principal do edifício.

Neste dia, as instalações estarão abertas ao público das 15.00h às 02:00h. Como em qualquer época do ano, a entrada é gratuita, bem como a assistência a cada um das sessões do espectáculo. Cada sessão está sujeita a uma lotação máxima de 50 pessoas. Os interessados deverão inscrever-se no próprio dia em formulário a disponibilizar à entrada do edifício meia hora antes do início de cada sessão.
17 de Maio (Sábado) – sessões às 21.30h e às 23.00h
Para maiores de 12 anos



Fotografia Paulo Catrica

Palestra/visita ao Edifício da Ex-Cadeia da Relação do Porto


“Palácio da Relação e Cadeia do Porto: Percursos, espaços e memórias”
Pretende-se nesta Visita/Conferência recordar a história do edifício, desde os objectivos que presidiram à sua construção, à sua funcionalidade ao longo de dois séculos, enquanto cadeia e tribunal. Nesse sentido durante a visita vão percorrer-se os espaços mais significativos, evocar memórias, lembrar personagens.

Oradora: Professora Doutora Maria José Moutinho, docente associada com agregação do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Tempo previsto: 2h/2,30h
Dia 18 de Maio (Domingo) – 15.30h
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quinta-feira, maio 08, 2008

Um “Olhar” sobre a APPh.

na revista Fotodigital






"A 7 de Julho de 1994, o “Olhar”, suplemento editado pelo jornal “A Capital” entre 1993 e 1999, publicou um artigo sobre “Finalistas de fotografia na AR.CO expõem dependências”. Aí, Sónia Laima descreve as preocupações dos então jovens fotógrafos. Estes “interrogavam-se se seria viável criar uma associação de fotógrafos, visto que já outras tentativas foram feitas nesse sentido e todas demonstraram que o espírito dos Portugueses, quando toca à fotografia, é, acima de tudo, individualista, impossibilitando qualquer tipo de corporativismo que não seja o dos amigalhaços”.
Mas os sonhos e a esperança duram. Se umas tentativas de criar associações de fotógrafos têm falhado, outras, aqui e ali, têm revelado uma longevidade surpreendente. O mesmo não se pode dizer sobre associações que, a nível nacional, se preocupem com a coisa fotográfica. A única que existiu, efémera, nasceu já lá vai um século depois de terem sido aprovados, a 27 de Junho de 1907 e por iniciativa de Arnaldo da Fonseca e Júlio Worm, os estatutos da Sociedade Portuguesa de Photographia. A 14 de Abril de 2007, no ano em que se assinalava o centenário dessa associação, nascia a APPh., Associação Portuguesa de Photographia. De então para cá, temos trabalhado para que os alicerces deste projecto lhe permitam longevidade.
Aquando da realização do primeiro leilão de fotografia antiga organizado, em Junho de 2006 pelos primos Trindade da Potássio 4, por iniciativa de Ângela Camila e António Faria, um grupo de amigos da fotografia, de amadores, de interessados, de estudiosos e de coleccionadores de fotografia aproveitou a oportunidade para se reunir num jantar. Gesto que repetiram pouco depois. Estes encontros ajudaram a revelar um desejo comum: o de criar uma associação vocacionada para o estudo, a discussão, a divulgação, a promoção da fotografia e dos fotógrafos.
Queríamos conhecer-nos melhor, saber o que os outros faziam, que imagens, livros, máquinas ou fotógrafos preferiam. Recordámos tempos passados, quando, há vinte ou trinta anos, era apenas um punhado deles que gostava de fotografia e se interessava pelas imagens antigas. Lembrámo-nos de que nos víamos, por acaso, nos alfarrabistas e nos antiquários. Tínhamo-nos encontrado “no Almarjão”, o Zé Maria da Livraria Histórica e Ultramarina, de Lisboa; ou “no Nuno”, o Nuno Canavês da Livraria Académica, no Porto; ou “nos Ferreiras”, Pai e Filhos, do Porto; ou “nos Trindades”, da Rua do Alecrim, em Lisboa; ou em tantos outros locais de culto e peregrinação. Verificámos que, agora, já éramos muitos, umas dezenas, que cultivavam o género e a arte. Uns fazem fotografia, outros estudam-na. Uns coleccionam imagens, outros sabem ler fotografia. Todos conhecíamos os nomes consagrados. O António Pedro Vicente, que, quase sozinho, durante décadas, presidiu a uma das melhores colecções de aparelhos fotográficos da Europa, a qual agora reside no Centro Português de Fotografia, na Cadeia da Relação, no Porto. O António Sena, em tempos proprietário e animador da galeria “Éther, só não vale tirar olhos”, em Lisboa, ulteriormente autor da principal História da fotografia portuguesa, a “História da imagem fotográfica em Portugal, 1839-1997”. O Jorge Calado, um catedrático de química, amante de música e fotografia, que nos habituámos a ler nos jornais ou em catálogos e que se tornou indispensável. O José Pessoa e a Vitória Mesquita, antigos do Arquivo Fotográfico de Lisboa e actuais do Inventário Artístico de Portugal, entre os primeiros a fazer da preservação e do restauro de imagens fotográficas a sua profissão e a sua paixão. Os irmãos Alexandre e António Ramires, pioneiros em Coimbra e que ao país dão lições de estudo e divulgação da fotografia histórica. O João José Clode, com uma das melhores e mais bem conservadas colecções. O Eduardo Nobre, coleccionador e escritor, com particular sabedoria em tudo o que é Casa Real, famílias nobres e costumes militares. O Luís Pavão, um Mestre da conservação/restauro e conhecedor como poucos da fotografia antiga. O João Loureiro, especialista em imagens e postais fotográficos ultramarinos, com pelo menos uma dezena de livros publicados. A Luísa Costa Dias, da Fototeca Municipal de Lisboa, onde tem obra feita. A Teresa Siza, fundadora e tenaz directora do Centro Português de Fotografia. A Isabel Corte Real e o Sérgio Mah, que estiveram à frente do Lisboa Photo. O José Luís Madeira, um dos veteranos destas artes e destes circuitos. O Sérgio Gomes, um dos mais novos, mas já com obra no “Público” e na “blogosfera”. Luís e Bernardo Trindade, da Potássio 4, responsáveis pelos primeiros leilões de fotografia feitos em Portugal. O José Manuel Ferreira, perito da estereoscopia fotográfica, com experiência internacional da blogosfera. António Valdemar, Paulo Catrica, Luís Saragaa Leal (PLMJ), Rita Barros, Albano da Silva Pereira (dos Encontros de Coimbra), Carmen Almeida, Rui Prata (dos Encontros de Braga); Emília Tavares (do Museu do Chiado); Silvestre Lacerda (da Torre do Tombo); Manuel Magalhães (e o Grupo Ideia e Forma); João Vilhena, Gérard Castello-Lopes, José Rodrigues, Vasco Graça Moura, José Pacheco Pereira, António Pedro Ferreira, Rui Ochoa, Eduardo Gajeiro, Paulo Nozolino, Daniel Blaufuks, Isabel Soares Alves, Maria José Palla, Nuno Borges, Delfim Sardo, Eduardo Nery, José Afonso Furtado, Marta Sicurella, Mafalda Ferro, Pedro Franco, Pedro Aguilar, Teresa Margarida Rebelo: uns juntaram-se a nós, outros gostaríamos que se juntassem também.
O inevitável sussurro começou depressa. “Não podemos ficar por aqui”! Muito depressa surgiram a palavra e o desejo: “E não deveríamos fazer uma associação, ter um local, fazer um Blogue, organizar um sítio na Internet, publicar uma revista...”? Todos queriam arranjar uma maneira de poder prosseguir o diálogo e a troca de informações e de contactos, eventualmente trocar imagens e aparelhos, mostrar as respectivas colecções, escrever sobre o que conheciam, aprender o que não sabiam. Quando uma boa ideia começa a caminhar, não é possível travá-la. Esta já deu uns passos. Acarinhada por vários entre nós, a ideia começa a ser realidade. Já existem estatutos, já são conhecidos os primeiros voluntários que querem dar o seu contributo. Já existe um Blogue que se destina, em primeira mão, a divulgar a Associação (APPh) e a sua missão. Já foi eleita uma direcção que prepara o seu trabalho, designadamente a angariação de sócios, a reflexão sobre as hipóteses de edição de uma revista / boletim, instalação de um sítio na Internet e execução de um logótipo e imagem gráfica concebidas pelo designer Henrique Cayatte. Sem esquecer outras iniciativas, nas quais meditamos, como por exemplo a organização de exposições e edições.
Além do que acima fica referido, o que pretendemos desta Associação? Defender os interesses da fotografia e dos fotógrafos. Contribuir para melhorar o papel da fotografia na cultura e na comunicação. Estimular a discussão e suscitar os comentários sobre qualquer assunto relativo à fotografia. Provocar o sentido crítico. Ajudar à divulgação de iniciativas que possam contribuir para o reforço da fotografia em Portugal. Contribuir para a construção de uma base de dados permanente sobre fotógrafos, espólios, coleccionadores, imagens importantes, colecções, leilões, acontecimentos e exposições. Divulgar galerias permanentes e temporárias. Mostrar fotos raras e especialmente interessantes. Promover a reflexão e o estudo sobre a fotografia e sua história. Fomentar a redacção de críticas e comentários a exposições, assim como de recensões de livros.
Gostaríamos também que a APPh viesse satisfazer uma necessidade que muitos ressentem, a de dar voz aos que querem influenciar decisões públicas e privadas sobre a fotografia em Portugal. Questões como a legislação sobre os bens patrimoniais ou os direitos de autor e de imagem; ou como sobre a actuação pública nesta área, o financiamento destas artes, a preservação do património e o ensino da fotografia nas escolas, merecem ser mais discutidas na praça. Começa a ser tempo de ver os interessados participar de modo mais eficaz nestes debates públicos. Os estatutos da associação estão aprovados. A escritura pública feita. Os primeiros corpos gerentes eleitos. Preparamos o programa de actividades. A nossa apresentação pública será feita em breve.
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Angela Camila e António Barreto, APPh.
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► Na Fotodigital de Maio de 2008
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quinta-feira, maio 01, 2008

conversas objectivas 2008

Convivemos com um número tão grande de inovações na sociedade moderna que muitas vezes nem nos apercebemos da importância das coisas mais simples. Nem chegamos a perceber, inclusive, como muitas dessas coisas simples são imprescindíveis à nossa vida. Uma delas, com certeza, é a fotografia. Totalmente identificada na mente do cidadão comum com o lazer, a fotografia é muitas vezes identificada somente como um hobby, um passatempo. Esquece-se, assim, de certa maneira, o papel fundamental da fotografia como documento histórico, do seu enorme valor probatório, informativo e até mesmo de investigação.
O Ciclo de Conferências "Conversas Objectivas", iniciado em 2007, teve como grande objectivo aguçar no público em geral, o gosto pela fotografia, objectivo este largamente conseguido na medida em que ao longo de 3 meses reuniu um grupo considerável de pessoas em torno deste interesse comum. Assim, as Conversas Objectivas, promovidas pela Câmara Municipal de Matosinhos, regressam este ano ao auditório da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, nos dias 3, 24 e 31 de Maio, 7, 14 e 28 de Junho e 12 de Julho, pelas 17.30h, com mais profissionais e especialistas como José Luís Neto, Cesário Alves, Sérgio Gomes, António Faria, Rodrigo Amado, António Júlio Duarte, José Manuel Rodrigues, Teresa Siza, Ângela Camila Castelo-Branco, Ricardo Fonseca, Maria do Carmo Serén, Rui Xavier e José Manuel Bacelar.
A primeira conferência, um «Encontro com o autor – José Luís Neto», contará com a presença de José Luís Neto e do Vereador da Cultura, Fernando Rocha, que fará a apresentação e o lançamento das Actas das Conversas Objectivas de 2007.

Esta iniciativa decorrerá conforme o seguinte programa:


Dia 3 de Maio, 17.30

Lançamento das Actas das Conversas Objectivas 2007
“Encontro com o autor - José Luís Neto”

José Luís Neto fotógrafo, Prémio BES Photo 2005

Apresentação Vereador Fernando Rocha




"conversas objectivas" ciclo de conferências, 2007



From the séries 22475, 2003. Gelatin silver print, 40x30 cm


Dia 24 de Maio, 17.30

"Fotojornalismo e os mercados editoriais”

Apresentação Cesário Alves



André e Moisés durante uma aula de fisioterapia. Coimbra, Abril 2000. Fotografia de Rui Xavier




Os incêndios florestais do Verão devastaram milhares de hectares de floresta portuguesa. Bombeiros e populares tentaram salvar o que puderam. Fotografia José Manuel Bacelar


Dia 31 de Maio, 17.30

Um blogue de fotografia: a experiência de fazer o Arte Photographica
Sérgio B. Gomes autor do blog Arte Photographica, jornalista do Publico, critico de fotografia

Apresentação Maria Carmo Seren





Dia 7 de Junho, 17.30

Apresentação do Álbum “Porto Leixões – Construção da Doca nº 1”
Registo Fotográfico


. Vista da Doca do Porto de Comercial de Leixões (Construcção da Doca n.º 1)


Dia 14 de Junho, 17.30

Os “Olhares fotográficos” dos estrangeiros
De Charles Legrand e William Barklay a Man Ray
conversa com Ângela Camila Castelo-Branco


CHARLES LEGRAND (fl. entre 1839 e 1847)








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Wolfgang Sievers, Henri Cartier-Bresson e Georges Dussaud
Sebastião Salgado e os “Mensageiros da Liberdade”
Os olhares de Cândida Hoffer, Bert Teunissen e Marta Sicurella..
por António Faria


Bert Teunissen photographer Domestic Landscapes




Os olharesde fotográficos de Bert Teunissen em Portugal. 2001/2

Ângela Camila Castelo-Branco coleccionadora e sócia-fundadora da Associação Portuguesa de Photographia
António Faria coleccionador e sócio-fundador da Associação Portuguesa de Photographia

Apresentação Tereza Siza





Dia 28 de Junho, 17.30

Rodrigo Amado e António Júlio Duarte: Partilha e Identidade

Rodrigo Amado musico, jornalista e fotógrafo
António Júlio Duarte fotógrafo
Apresentação Tereza Siza



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Exposição de Rodrigues Amado na Kgaleria, 2007



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Do Natural © António Júlio Duarte


Dia 12 de Julho, 17.30

“Viagem pela fotografia”
José Manuel Rodrigues fotógrafo Prémio Pessoa 1999

Apresentação Vereador Fernando Rocha







. CONVERSAS OBJECTIVAS – Ciclo de conferências 2008 –

Biblioteca Municipal Florbela Espanca
Câmara Municipal de Matosinhos





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sexta-feira, abril 25, 2008

O Chelsea Hotel através das Lentes de Fotógrafos
Exposição comemorativa dos 125 anos do Chelsea Hotel em Nova Iorque.




The Hotel Chelsea's lobby, photographed by Linda Troeller, Chelsea Hotel resident since 1994
Photo from the upcoming book, Atmosphere: An Artist's Memoir of the Chelsea Hotel by Linda Troeller

Related:
"Down at the Chelsea," by Tricia Romano




Depois das noticias “escandalosas” no Verão passado sobre o despedimento de Stanely Bard, gerente do Chelsea Hotel nos últimos 45 anos - responsável por ter criado este espaço ‘Mitico” - e depois de quase todos os residentes terem tido ataques cardíacos com a nova gerência, (quantas vezes cantei no elevador “Lobotomy, lobotomy DDT did a job on me” dos Ramones), chegamos à celebração através da fotografia do papel do Chelsea no imaginário de Nova Iorque e não só.
Sessenta fotógrafos da América e de vários países europeus responderam ao pedido da comissária, Linda Troeller para apresentarem momentos únicos na vida do Chelsea. As imagens a cor, e preto e branco, e em vários suportes, desde fotografias de arquivo, a fotografias de produções de moda, retratos e de ambiente estaram em exposição na antiga sala de baile que já foi apartamento e que agora serve de sala apoio à recepção do Hotel.
O Chelsea, construído em 1883, é um dos prédios famosos de Nova Iorque. Aqui os visitantes gostam de apontar a longa história de boémia e inspiração artística: Bob Dylan dedicou “Just Like a Woman” à superstar Eddie Sedgwick, Leonard Cohen dedicou “Chelsea Hotel No.2” a Janis Joplin, Arthur C. Clarke escreveu “2001: A Space Odyssey” e Andy Warhol filmou “Chelsea Girls”. Bette Davies, Jackson Pollock, Mark Twain, David Mamet, Arthur Miller, Janis Joplin, Jimi Hendrix Patti Smith, são mais uma pequena lista de ‘monstros sagrados” que viveram no hotel.


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Rita Barros, Chelsea Hotel, New York 25 de Abril de 2008


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Exposição dia 9, 10 e 11 de Maio de 2008

Ballroom of the Chelsea Hotel
222 West 23 Street
New York, NY 10011