quinta-feira, maio 01, 2008

conversas objectivas 2008

Convivemos com um número tão grande de inovações na sociedade moderna que muitas vezes nem nos apercebemos da importância das coisas mais simples. Nem chegamos a perceber, inclusive, como muitas dessas coisas simples são imprescindíveis à nossa vida. Uma delas, com certeza, é a fotografia. Totalmente identificada na mente do cidadão comum com o lazer, a fotografia é muitas vezes identificada somente como um hobby, um passatempo. Esquece-se, assim, de certa maneira, o papel fundamental da fotografia como documento histórico, do seu enorme valor probatório, informativo e até mesmo de investigação.
O Ciclo de Conferências "Conversas Objectivas", iniciado em 2007, teve como grande objectivo aguçar no público em geral, o gosto pela fotografia, objectivo este largamente conseguido na medida em que ao longo de 3 meses reuniu um grupo considerável de pessoas em torno deste interesse comum. Assim, as Conversas Objectivas, promovidas pela Câmara Municipal de Matosinhos, regressam este ano ao auditório da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, nos dias 3, 24 e 31 de Maio, 7, 14 e 28 de Junho e 12 de Julho, pelas 17.30h, com mais profissionais e especialistas como José Luís Neto, Cesário Alves, Sérgio Gomes, António Faria, Rodrigo Amado, António Júlio Duarte, José Manuel Rodrigues, Teresa Siza, Ângela Camila Castelo-Branco, Ricardo Fonseca, Maria do Carmo Serén, Rui Xavier e José Manuel Bacelar.
A primeira conferência, um «Encontro com o autor – José Luís Neto», contará com a presença de José Luís Neto e do Vereador da Cultura, Fernando Rocha, que fará a apresentação e o lançamento das Actas das Conversas Objectivas de 2007.

Esta iniciativa decorrerá conforme o seguinte programa:


Dia 3 de Maio, 17.30

Lançamento das Actas das Conversas Objectivas 2007
“Encontro com o autor - José Luís Neto”

José Luís Neto fotógrafo, Prémio BES Photo 2005

Apresentação Vereador Fernando Rocha




"conversas objectivas" ciclo de conferências, 2007



From the séries 22475, 2003. Gelatin silver print, 40x30 cm


Dia 24 de Maio, 17.30

"Fotojornalismo e os mercados editoriais”

Apresentação Cesário Alves



André e Moisés durante uma aula de fisioterapia. Coimbra, Abril 2000. Fotografia de Rui Xavier




Os incêndios florestais do Verão devastaram milhares de hectares de floresta portuguesa. Bombeiros e populares tentaram salvar o que puderam. Fotografia José Manuel Bacelar


Dia 31 de Maio, 17.30

Um blogue de fotografia: a experiência de fazer o Arte Photographica
Sérgio B. Gomes autor do blog Arte Photographica, jornalista do Publico, critico de fotografia

Apresentação Maria Carmo Seren





Dia 7 de Junho, 17.30

Apresentação do Álbum “Porto Leixões – Construção da Doca nº 1”
Registo Fotográfico


. Vista da Doca do Porto de Comercial de Leixões (Construcção da Doca n.º 1)


Dia 14 de Junho, 17.30

Os “Olhares fotográficos” dos estrangeiros
De Charles Legrand e William Barklay a Man Ray
conversa com Ângela Camila Castelo-Branco


CHARLES LEGRAND (fl. entre 1839 e 1847)








.
Wolfgang Sievers, Henri Cartier-Bresson e Georges Dussaud
Sebastião Salgado e os “Mensageiros da Liberdade”
Os olhares de Cândida Hoffer, Bert Teunissen e Marta Sicurella..
por António Faria


Bert Teunissen photographer Domestic Landscapes




Os olharesde fotográficos de Bert Teunissen em Portugal. 2001/2

Ângela Camila Castelo-Branco coleccionadora e sócia-fundadora da Associação Portuguesa de Photographia
António Faria coleccionador e sócio-fundador da Associação Portuguesa de Photographia

Apresentação Tereza Siza





Dia 28 de Junho, 17.30

Rodrigo Amado e António Júlio Duarte: Partilha e Identidade

Rodrigo Amado musico, jornalista e fotógrafo
António Júlio Duarte fotógrafo
Apresentação Tereza Siza



.
Exposição de Rodrigues Amado na Kgaleria, 2007



.
Do Natural © António Júlio Duarte


Dia 12 de Julho, 17.30

“Viagem pela fotografia”
José Manuel Rodrigues fotógrafo Prémio Pessoa 1999

Apresentação Vereador Fernando Rocha







. CONVERSAS OBJECTIVAS – Ciclo de conferências 2008 –

Biblioteca Municipal Florbela Espanca
Câmara Municipal de Matosinhos





.

sexta-feira, abril 25, 2008

O Chelsea Hotel através das Lentes de Fotógrafos
Exposição comemorativa dos 125 anos do Chelsea Hotel em Nova Iorque.




The Hotel Chelsea's lobby, photographed by Linda Troeller, Chelsea Hotel resident since 1994
Photo from the upcoming book, Atmosphere: An Artist's Memoir of the Chelsea Hotel by Linda Troeller

Related:
"Down at the Chelsea," by Tricia Romano




Depois das noticias “escandalosas” no Verão passado sobre o despedimento de Stanely Bard, gerente do Chelsea Hotel nos últimos 45 anos - responsável por ter criado este espaço ‘Mitico” - e depois de quase todos os residentes terem tido ataques cardíacos com a nova gerência, (quantas vezes cantei no elevador “Lobotomy, lobotomy DDT did a job on me” dos Ramones), chegamos à celebração através da fotografia do papel do Chelsea no imaginário de Nova Iorque e não só.
Sessenta fotógrafos da América e de vários países europeus responderam ao pedido da comissária, Linda Troeller para apresentarem momentos únicos na vida do Chelsea. As imagens a cor, e preto e branco, e em vários suportes, desde fotografias de arquivo, a fotografias de produções de moda, retratos e de ambiente estaram em exposição na antiga sala de baile que já foi apartamento e que agora serve de sala apoio à recepção do Hotel.
O Chelsea, construído em 1883, é um dos prédios famosos de Nova Iorque. Aqui os visitantes gostam de apontar a longa história de boémia e inspiração artística: Bob Dylan dedicou “Just Like a Woman” à superstar Eddie Sedgwick, Leonard Cohen dedicou “Chelsea Hotel No.2” a Janis Joplin, Arthur C. Clarke escreveu “2001: A Space Odyssey” e Andy Warhol filmou “Chelsea Girls”. Bette Davies, Jackson Pollock, Mark Twain, David Mamet, Arthur Miller, Janis Joplin, Jimi Hendrix Patti Smith, são mais uma pequena lista de ‘monstros sagrados” que viveram no hotel.


.

Rita Barros, Chelsea Hotel, New York 25 de Abril de 2008


.
Exposição dia 9, 10 e 11 de Maio de 2008

Ballroom of the Chelsea Hotel
222 West 23 Street
New York, NY 10011



terça-feira, abril 22, 2008



Aula Magna
& Outros Espaços


Exposição de Fotografia de João Fazenda

“Algarve – da luz e da obscuridade”

A exposição de fotografia “Algarve – da luz e da obscuridade”, de João Fazenda, mostra um Algarve com características próprias de uma terra do sul, banhada por uma luz solar intensa e quente, nas horas zenitais, doce e aconchegante nas horas crepusculares.

Mas, se a luz é inspiradora para muitos, também o é a sombra para outros, ou a obscuridade, ou a “penumbra”, como se lhe refere Junichiro Tanizaki no seu Elogio da Sombra: “essa claridade ténue feita de luz exterior e de experiência incerta”.

Um convite para ver imagens nascidas do prazer de viver, do prazer de calcorrear o Algarve, do prazer de fotografar, do prazer de comunicar.

A inauguração da Exposição terá lugar no próximo dia 23 de Abril, às 18 horas, na Reitoria da Universidade de Lisboa.

sexta-feira, abril 18, 2008






Fernando Lemos
“rasgar seda”


Tinha anotado em vários cadernos o dia 3 de Abril, Fernando Lemos (1926-), estaria na Sociedade Nacional de Belas Artes, não queria perder esta oportunidade para conhece-lo, como já tinha acontecido aquando da retrospectiva da sua obra no Museu Berardo de Arte Moderna em Sintra em 2005 “Fernando Lemos e o Surrealismo”, já então tinha perdido a ocasião para estar com este grande português que vive no Brasil. (O acontecimento podemos recordar aqui num filme de Pedro Aguilar e Bruno de Almeida).


Auto retrato de Fernando Lemos, anos 50



Aconteceu que nunca mais me lembrei da exposição onde Fernando Lemos estaria presente.
Sábado pelo meio dia apeteceu-me tomar o pequeno-almoço e ler as notícias na Cinemateca, o ambiente àquela hora está despido de vaidades e envolvido de numa efémera solidão que me conquista. Soprava uma brisa de silêncio frio que arrepiava. Recolhi-me no interior, ao fundo da cafetaria poltronas opulentas esperavam pacientemente que me aconchegasse nelas. Aproveito para ver “Cinema de Papel”, os 50 desenhos de Federico Fellini ali expostos até finais de Maio.
Satisfeita saio para a Barata Salgueiro, especado na minha frente o edifício da Sociedade Nacional de Belas Artes, só então me recordo de Fernando Lemos. Lá dentro esperava-me a exposição dos concorrentes ao 3.º Prémio de Pintura Banif - Revelação e a Consagração a Fernando Lemos. Uma pequena brochura sobre o artista consagrado é-nos oferecida, vale ouro, à parte o excelente catálogo da Exposição “Fernando Lemos e o Surrealismo”, pouco temos sobre o artista.
Não resisto a transcrever a autobiografia. “ Autobiografia de Fernando Lemos - Nasci na Rua do Sol ao Rato, em Lisboa em 1926. Fui para o Brasil em 1952. Fui estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, director de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais, designer de feiras industriais, cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor.” (Fernando Lemos, Prémio Banif Consagração 2008). Apreciei alguns retratos fantásticos de Fernando Lemos, algumas pinturas e prospectos de exposições, parece pouco mas soube-me a muito. Cá fora, e porque ainda não queria almoçar dei um salto à Fundação Medeiros de Almeida - ali ao atravessar da rua. Só para ver o que lá estava, “Arte Brasileira Sobre Papel - Um Panorama do Século XX”, passei-lhe os olhos. Comprei o catálogo da exposição de fotografia que Eduardo Nery tinha feito sobre as peças da colecção da Fundação e que me tinha passado ao lado.

Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.


.

terça-feira, abril 01, 2008

FOTOGRAFIA no MUSEU NACIONAL de SOARES dos REIS

Fotografia J. P. Sotto Mayor

Fotografia José Marafona

“Um dia no Museu”
...

Fotógrafos do Grupo IF (Ideia e Forma) 2008

“Um dia no Museu”, é a exposição de fotografia que o Grupo IF (Ideia e Forma), realiza no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, inaugurando no Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), e que estará patente até ao próximo mês de Agosto.
.

Fotografias de Manuel Magalhães


As cerca de 60 fotografias expostas são da autoria dos cinco elementos do Grupo IF, António Drummond, Henrique Araújo, João Paulo Sotto Mayor, José Marafona e Manuel Magalhães
A iniciativa partiu da Direcção do Museu que para o efeito convidou o Grupo IF.
Assim, passados 25 anos após “ESQUINAS do TEMPO” aqui torna a expor.
"Um dia no Museu" constituirá a sua abordagem às diversas vivências que constituem o dia a dia deste pequeno universo, e que dá o nome à própria exposição.
Fundado em 1976, Grupo IF (Ideia e Forma), foi durante aproximadamente 10 anos a maior referência de fotografia colectiva em Portugal. Realizou 11 exposições originais. Selecções das mesmas foram apresentadas em Serralves no Museu de Arte Contemporãnea (Porto 60 /70: Os Artistas e a Cidade) e na galeria da Biblioteca Almeida Garrett no Porto (+ de 20 - grupos e episódios no porto do século XX).
Exposições do Grupo IF: tema livre (1976); vilarinho das furnas (1977); comboios d’ontem imagens d’hoje (1977); ponte maria pia (1977); imagens do quotidiano (1977); fotografia experimental ou de vangarda (1978); formas (1978); exercicío (1978); nona (1981); esquinas do tempo (1982); o porto visto de perto (1984).

............
..
HORÁRIO
Encerra à 2ª Feira
3ª Feira – 14h00 às 18h00
4ª. Feira a Domingo – 10h00 às 18h00




MUSEU NACIONAL de SOARES dos REIS
Rua D. Manuel II. 4050-342 PORTO
Tel.: +351 223393770
Fax: +351 222082851
E-mail: mnsr.div@ipmuseus.pt




sábado, março 15, 2008

BES PHOTO, há noites assim, assombrosas, fantásticas...

A inauguração da 4ª edição do Prémio BES Photo estava marcada para as 22:00 horas do dia 13 de Março, em exposição no Museu Colecção Berardo podíamos ver os trabalhos inéditos dos três concorrentes, Daniel Malhão, Eurico Lino do Vale e Miguel Soares. Pelo adiantado da hora e pelo facto de ter sido a meio da semana, fiquei surpreendida pela quantidade de gente que ali se deslocou. Percebi depois que nem todos ali estariam por amor à fotografia. Foi servido por um catering: mousse de salmão com chantilly e trufas de cabrito panadas com amêndoas gratinadas e molho picante, acompanhei com champanhe para animar a noite.
Tenho seguido estas edições do BES Photo e, parece-me que, este ano se fez o hat trick . Eu explico porquê. Todos os trabalhos concorrentes são de tal forma fotográficos – nem sempre assim aconteceu em anteriores edições, que é demasiado penosa a escolha de qualquer um deles em detrimento dos outros dois.

Daniel Malhão (Lisboa, 1971) apresenta para o prémio BES Photo 2007 a obra «As Far as I Can See», “quatro dípticos de paisagens marítimas cortadas pela linha do horizonte, afastando o céu e o mar. Esta peça nasce da pergunta: «até onde posso ver?». Com este trabalho, Daniel Malhão tenta definir os limites.” O fotógrafo “inunda-nos” e hipnotiza-nos com a imensidão cromática das suas paisagens, ele invoca, provocantemente, um dos maiores tabus da fotografia a dimensão e os limites da mesma. A escala é determinante para o sucesso de uma imagem, José Luís Neto vencedor da 2ª edição do BES Photo, pratica o exercício da escala e das dimensões em muitos dos seus trabalhos, “Irgendwo” (1998), ou em “22474” (2000), os minúsculos rostos encapuçados dos prisioneiros fotografados por Joshua Benoliel em 1912 na penitenciária de Lisboa em Campolide e ampliados por José Luís Neto até ao formato de 30x40 cm.
Daniel Malhão vai mais longe em «As Far as I Can See», salvaguardando o carácter físico do suporte, se nos posicionarmos convenientemente as dimensões das paisagens onde mergulhamos são infinitas e ignoram o limite do olhar do fotógrafo que as aprisionou.

Eurico Lino do Vale (Porto, 1966)É o retrato do incógnito, do velado, do oposto da identidade. Definitivamente, um retrato daquilo que não está presente, daquilo que só existe em potência, no olhar de quem dispara. É assim que nascem as sombras, esse universo dissipado que reclama Tanizaki, essa empresa impossível que cerca os perfis a que Eurico Lino do Vale quer dar luz”.
Os percursores da fotografia mais não faziam que fixar-nos os recortes em perfis mais ou menos pontiagudos, mais ou menos achatados. A utilização destes instrumentos (máquinas) é conhecida e profusamente comentada na história da fotografia. Em França no tempo de Louis XIV, um novo processo de retratar é inventado e maliciosamente designado “Silhouette” nome de um “Ministro das Finanças” do reino. Sentados de perfil ao lado de um cavalete onde se dispunha uma folha branca, os retratados viam o seu perfil desenhado pela luz na superfície do papel, o interior dos contornos era posteriormente pintado a negro e recortado. Não deixa de ter piada que Eurico Lino do Vale exponha silhuetas na actual conjuntura económica do Portugal Socrático. Não resisto a lembrar-vos a história de Monsieur A. de Silhouette: ministro das finanças de Louis XIV, foi incumbido, em 1759, de equilibrar os cofres do estado que à época estavam quase vazios. Criativo, como hoje é o nosso Teixeira dos Santos, Silhouette esvaziou os bolsos dos franceses para encher os cofres do reino, mas estes não ficaram nada contentes e a sua popularidade sofreu reveses e consequências. Apareceu um novo estilo de roupa, fatos sem bolsos que foram considerados inúteis, pelo facto das pessoas não terem dinheiro para os encher. Estas roupas eram à la Silhouette, e até hoje, qualquer coisa insubstancial como uma sombra chamamos-lhe uma silhueta, em pouco tempo o brilhante ministro do reino torna-se não mais do que uma sombra de si mesmo. Não sei o que esta história tem de verdadeiro, uma coisa eu sei os portugueses também têem o seu Sr. Silhueta.
«O retrato é a própria realidade, um acto performativo. É o acto de encarnar a figura do fotógrafo para registar o momento. De um lado e do outro, é um encontro de duas pessoas num determinado tempo. O acto de fotografar é um acto de convergência de uma pessoa com outra. Depois, chega a divergência, quando o objecto se torna autónomo e decide partir. Porém, para mim, retratar não é nem teatro nem realidade pura. É o resultado daquilo que aconteceu».

Miguel Soares (Braga, 1970) Finalmente no trabalho de Miguel Soares onde a teoria estética de Samuel Taylor Coleridge (1732-1834), que invoca a vontade de uma pessoa aceitar como verdade as instalações de uma obra de ficção, mesmo se elas são fantásticas ou impossíveis. «A nossa vontade de aceitar a ilusão, mesmo em casos inverosímeis e tecnicamente imperfeitos, a chamada teoria da Suspension of Disbelief interessa-me imenso. Há coisas que víamos há vinte anos atrás e pareciam altamente verosímeis e realistas e que hoje em dia parecem muito mal feitas.»
Dei comigo a questionar-me se a obra “Planets” se tratava de caixas de luz, tal era a minúcia da iluminação mas, também, a sequência e a tonalidade das fotografias. Se eliminarmos as duas últimas fotografias na sequência de quem as percorre quando entra e verifica tratar-se na verdade de candeeiros de jardim, facilmente entramos no mundo mágico do fantástico, no mundo da teoria de Samuel Taylor Coleridge.


Também em "Li ine" o artista explora os mecanismos que regulam e determinam a percepção:




O Prémio BES Photo (este ano no valor de 25.000 euros) é atribuído desde 2004 pelo Banco Espírito Santo em parceria com o Centro Cultural de Belém, e em 2008, no âmbito de um novo protocolo, em parceria com o Museu Colecção Berardo.
Para esta 4.ª edição do galardão, os artistas foram escolhidos por um júri de selecção com base em exposições realizadas entre 01 de Julho de 2006 e 31 de Julho de 2007. O Júri de Selecção foi composto por Albano da Silva Pereira, Director do CAV (Centro de Artes Visuais, Coimbra), José Luís Neto, artista plástico e vencedor do BES Photo 2005, Leonor Nazaré, curadora do CAM (Centro Arte Moderna José Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian), Nuno Crespo, crítico de arte e Ricardo Nicolau, Adjunto do Director do Museu de Serralves.
Os artistas foram seleccionados pelas seguintes exposições (realizadas entre 1 de Julho de 2006 e 31 de Julho de 2007:
- Daniel Malhão pela exposição "Título", na Galeria Vera Cortês - Agência de Arte (20 Out a 18 Nov 2006).
- Eurico Lino do Vale pela exposição "Retratos dos Túmulos dos Reis de Portugal", na Galeria Carlos Carvalho (09 Maio a 31 Julho 2007).
- Miguel Soares pela exposição "Exposição Individual de Miguel Soares", na Galeria Graça Brandão (21 Junho a 31 Julho 2007).
O júri, que anunciará o vencedor a 07 de Abril, é constituído pela curadora Lorena Corral, François Hebel, director de "Rencontres Culturales de la Photo", Jürgen Bock, Director da Escola de Arte Maumaus, José Bragança de Miranda, Professor da Universidade Nova de Lisboa e Thomas Seelig, Curador do Fotomuseum Winterthur, na Suiça.
Os trabalhos dos candidatos ao BES Photo serão apresentados, em Junho, no PhotoEspaña, em Madrid, que este ano é comissariado pelo português Sérgio Mah.


Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.

.