sábado, abril 19, 2008
sexta-feira, abril 18, 2008
Tinha anotado em vários cadernos o dia 3 de Abril, Fernando Lemos (1926-), estaria na Sociedade Nacional de Belas Artes, não queria perder esta oportunidade para conhece-lo, como já tinha acontecido aquando da retrospectiva da sua obra no Museu Berardo de Arte Moderna em Sintra em 2005 “Fernando Lemos e o Surrealismo”, já então tinha perdido a ocasião para estar com este grande português que vive no Brasil. (O acontecimento podemos recordar aqui num filme de Pedro Aguilar e Bruno de Almeida).
Sábado pelo meio dia apeteceu-me tomar o pequeno-almoço e ler as notícias na Cinemateca, o ambiente àquela hora está despido de vaidades e envolvido de numa efémera solidão que me conquista. Soprava uma brisa de silêncio frio que arrepiava. Recolhi-me no interior, ao fundo da cafetaria poltronas opulentas esperavam pacientemente que me aconchegasse nelas. Aproveito para ver “Cinema de Papel”, os 50 desenhos de Federico Fellini ali expostos até finais de Maio.
Satisfeita saio para a Barata Salgueiro, especado na minha frente o edifício da Sociedade Nacional de Belas Artes, só então me recordo de Fernando Lemos. Lá dentro esperava-me a exposição dos concorrentes ao 3.º Prémio de Pintura Banif - Revelação e a Consagração a Fernando Lemos. Uma pequena brochura sobre o artista consagrado é-nos oferecida, vale ouro, à parte o excelente catálogo da Exposição “Fernando Lemos e o Surrealismo”, pouco temos sobre o artista.
Não resisto a transcrever a autobiografia. “ Autobiografia de Fernando Lemos - Nasci na Rua do Sol ao Rato, em Lisboa em 1926. Fui para o Brasil em 1952. Fui estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, director de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais, designer de feiras industriais, cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor.” (Fernando Lemos, Prémio Banif Consagração 2008). Apreciei alguns retratos fantásticos de Fernando Lemos, algumas pinturas e prospectos de exposições, parece pouco mas soube-me a muito. Cá fora, e porque ainda não queria almoçar dei um salto à Fundação Medeiros de Almeida - ali ao atravessar da rua. Só para ver o que lá estava, “Arte Brasileira Sobre Papel - Um Panorama do Século XX”, passei-lhe os olhos. Comprei o catálogo da exposição de fotografia que Eduardo Nery tinha feito sobre as peças da colecção da Fundação e que me tinha passado ao lado.
terça-feira, abril 01, 2008
Fotógrafos do Grupo IF (Ideia e Forma) 2008
As cerca de 60 fotografias expostas são da autoria dos cinco elementos do Grupo IF, António Drummond, Henrique Araújo, João Paulo Sotto Mayor, José Marafona e Manuel Magalhães
A iniciativa partiu da Direcção do Museu que para o efeito convidou o Grupo IF.
Assim, passados 25 anos após “ESQUINAS do TEMPO” aqui torna a expor.
"Um dia no Museu" constituirá a sua abordagem às diversas vivências que constituem o dia a dia deste pequeno universo, e que dá o nome à própria exposição.
Fundado em 1976, Grupo IF (Ideia e Forma), foi durante aproximadamente 10 anos a maior referência de fotografia colectiva em Portugal. Realizou 11 exposições originais. Selecções das mesmas foram apresentadas em Serralves no Museu de Arte Contemporãnea (Porto 60 /70: Os Artistas e a Cidade) e na galeria da Biblioteca Almeida Garrett no Porto (+ de 20 - grupos e episódios no porto do século XX).
Exposições do Grupo IF: tema livre (1976); vilarinho das furnas (1977); comboios d’ontem imagens d’hoje (1977); ponte maria pia (1977); imagens do quotidiano (1977); fotografia experimental ou de vangarda (1978); formas (1978); exercicío (1978); nona (1981); esquinas do tempo (1982); o porto visto de perto (1984).
MUSEU NACIONAL de SOARES dos REIS
Rua D. Manuel II. 4050-342 PORTO
Tel.: +351 223393770
Fax: +351 222082851
E-mail: mnsr.div@ipmuseus.pt
sábado, março 15, 2008
A inauguração da 4ª edição do Prémio BES Photo estava marcada para as 22:00 horas do dia 13 de Março, em exposição no Museu Colecção Berardo podíamos ver os trabalhos inéditos dos três concorrentes, Daniel Malhão, Eurico Lino do Vale e Miguel Soares. Pelo adiantado da hora e pelo facto de ter sido a meio da semana, fiquei surpreendida pela quantidade de gente que ali se deslocou. Percebi depois que nem todos ali estariam por amor à fotografia. Foi servido por um catering: mousse de salmão com chantilly e trufas de cabrito panadas com amêndoas gratinadas e molho picante, acompanhei com champanhe para animar a noite.
Tenho seguido estas edições do BES Photo e, parece-me que, este ano se fez o hat trick . Eu explico porquê. Todos os trabalhos concorrentes são de tal forma fotográficos – nem sempre assim aconteceu em anteriores edições, que é demasiado penosa a escolha de qualquer um deles em detrimento dos outros dois.
Daniel Malhão (Lisboa, 1971) apresenta para o prémio BES Photo 2007 a obra «As Far as I Can See», “quatro dípticos de paisagens marítimas cortadas pela linha do horizonte, afastando o céu e o mar. Esta peça nasce da pergunta: «até onde posso ver?». Com este trabalho, Daniel Malhão tenta definir os limites.” O fotógrafo “inunda-nos” e hipnotiza-nos com a imensidão cromática das suas paisagens, ele invoca, provocantemente, um dos maiores tabus da fotografia a dimensão e os limites da mesma. A escala é determinante para o sucesso de uma imagem, José Luís Neto vencedor da 2ª edição do BES Photo, pratica o exercício da escala e das dimensões em muitos dos seus trabalhos, “Irgendwo” (1998), ou em “22474” (2000), os minúsculos rostos encapuçados dos prisioneiros fotografados por Joshua Benoliel em 1912 na penitenciária de Lisboa em Campolide e ampliados por José Luís Neto até ao formato de 30x40 cm.
Daniel Malhão vai mais longe em «As Far as I Can See», salvaguardando o carácter físico do suporte, se nos posicionarmos convenientemente as dimensões das paisagens onde mergulhamos são infinitas e ignoram o limite do olhar do fotógrafo que as aprisionou.
Eurico Lino do Vale (Porto, 1966) “É o retrato do incógnito, do velado, do oposto da identidade. Definitivamente, um retrato daquilo que não está presente, daquilo que só existe em potência, no olhar de quem dispara. É assim que nascem as sombras, esse universo dissipado que reclama Tanizaki, essa empresa impossível que cerca os perfis a que Eurico Lino do Vale quer dar luz”.
Os percursores da fotografia mais não faziam que fixar-nos os recortes em perfis mais ou menos pontiagudos, mais ou menos achatados. A utilização destes instrumentos (máquinas) é conhecida e profusamente comentada na história da fotografia. Em França no tempo de Louis XIV, um novo processo de retratar é inventado e maliciosamente designado “Silhouette” nome de um “Ministro das Finanças” do reino. Sentados de perfil ao lado de um cavalete onde se dispunha uma folha branca, os retratados viam o seu perfil desenhado pela luz na superfície do papel, o interior dos contornos era posteriormente pintado a negro e recortado. Não deixa de ter piada que Eurico Lino do Vale exponha silhuetas na actual conjuntura económica do Portugal Socrático. Não resisto a lembrar-vos a história de Monsieur A. de Silhouette: ministro das finanças de Louis XIV, foi incumbido, em 1759, de equilibrar os cofres do estado que à época estavam quase vazios. Criativo, como hoje é o nosso Teixeira dos Santos, Silhouette esvaziou os bolsos dos franceses para encher os cofres do reino, mas estes não ficaram nada contentes e a sua popularidade sofreu reveses e consequências. Apareceu um novo estilo de roupa, fatos sem bolsos que foram considerados inúteis, pelo facto das pessoas não terem dinheiro para os encher. Estas roupas eram à la Silhouette, e até hoje, qualquer coisa insubstancial como uma sombra chamamos-lhe uma silhueta, em pouco tempo o brilhante ministro do reino torna-se não mais do que uma sombra de si mesmo. Não sei o que esta história tem de verdadeiro, uma coisa eu sei os portugueses também têem o seu Sr. Silhueta.
«O retrato é a própria realidade, um acto performativo. É o acto de encarnar a figura do fotógrafo para registar o momento. De um lado e do outro, é um encontro de duas pessoas num determinado tempo. O acto de fotografar é um acto de convergência de uma pessoa com outra. Depois, chega a divergência, quando o objecto se torna autónomo e decide partir. Porém, para mim, retratar não é nem teatro nem realidade pura. É o resultado daquilo que aconteceu».
Miguel Soares (Braga, 1970) Finalmente no trabalho de Miguel Soares onde a teoria estética de Samuel Taylor Coleridge (1732-1834), que invoca a vontade de uma pessoa aceitar como verdade as instalações de uma obra de ficção, mesmo se elas são fantásticas ou impossíveis. «A nossa vontade de aceitar a ilusão, mesmo em casos inverosímeis e tecnicamente imperfeitos, a chamada teoria da Suspension of Disbelief interessa-me imenso. Há coisas que víamos há vinte anos atrás e pareciam altamente verosímeis e realistas e que hoje em dia parecem muito mal feitas.»
Dei comigo a questionar-me se a obra “Planets” se tratava de caixas de luz, tal era a minúcia da iluminação mas, também, a sequência e a tonalidade das fotografias. Se eliminarmos as duas últimas fotografias na sequência de quem as percorre quando entra e verifica tratar-se na verdade de candeeiros de jardim, facilmente entramos no mundo mágico do fantástico, no mundo da teoria de Samuel Taylor Coleridge.
Também em "Li ine" o artista explora os mecanismos que regulam e determinam a percepção:
O Prémio BES Photo (este ano no valor de 25.000 euros) é atribuído desde 2004 pelo Banco Espírito Santo em parceria com o Centro Cultural de Belém, e em 2008, no âmbito de um novo protocolo, em parceria com o Museu Colecção Berardo.
Para esta 4.ª edição do galardão, os artistas foram escolhidos por um júri de selecção com base em exposições realizadas entre 01 de Julho de 2006 e 31 de Julho de 2007. O Júri de Selecção foi composto por Albano da Silva Pereira, Director do CAV (Centro de Artes Visuais, Coimbra), José Luís Neto, artista plástico e vencedor do BES Photo 2005, Leonor Nazaré, curadora do CAM (Centro Arte Moderna José Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian), Nuno Crespo, crítico de arte e Ricardo Nicolau, Adjunto do Director do Museu de Serralves.
Os artistas foram seleccionados pelas seguintes exposições (realizadas entre 1 de Julho de 2006 e 31 de Julho de 2007:
- Daniel Malhão pela exposição "Título", na Galeria Vera Cortês - Agência de Arte (20 Out a 18 Nov 2006).
- Eurico Lino do Vale pela exposição "Retratos dos Túmulos dos Reis de Portugal", na Galeria Carlos Carvalho (09 Maio a 31 Julho 2007).
- Miguel Soares pela exposição "Exposição Individual de Miguel Soares", na Galeria Graça Brandão (21 Junho a 31 Julho 2007).
O júri, que anunciará o vencedor a 07 de Abril, é constituído pela curadora Lorena Corral, François Hebel, director de "Rencontres Culturales de la Photo", Jürgen Bock, Director da Escola de Arte Maumaus, José Bragança de Miranda, Professor da Universidade Nova de Lisboa e Thomas Seelig, Curador do Fotomuseum Winterthur, na Suiça.
Os trabalhos dos candidatos ao BES Photo serão apresentados, em Junho, no PhotoEspaña, em Madrid, que este ano é comissariado pelo português Sérgio Mah.
Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.
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domingo, fevereiro 24, 2008
© Gérald Bloncourt
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É por estas razões que a exposição do fotógrafo Gérald Bloncourt “Uma vida melhor” que está no Centro Cultural de Belém até 18 de Maio de 2008 se reveste de uma tão grande importância. Porque, mais uma vez, é um estrangeiro a olhar-nos como nós não nos vemos. Gérald Bloncourt olhava para os assustados emigrantes portugueses que fotografava nos bairros de lata, nos anos 50, e pensava: "Que vai fazer? Qual é o seu destino? Ele vai conseguir porque é filho dos grandes descobridores!". E conseguiram. Hoje os portugueses em França são uma comunidade integrada com numerosos exemplos de sucesso empresarial e humano.
Activista político e social Gérald Bloncourt nasceu no Haiti, donde foi expulso para França onde continuou a lutar contra a ditadura haitiana. Fotografou as condições miseráveis em que viviam os trabalhadores portugueses em França nos anos 50, 60’s e 70’s. A entrada nas fábricas, os trabalhos de madrugada no “Les Halles”, então mercado abastecedor de frutas e legumes de toda a região parisiense, a construção da “La Defance”, hoje marca de uma França moderna, mas à época um imenso lamaçal de miséria. Os bairros de lata feitos com os restos de materiais das construções onde trabalhavam como pedreiros, carpinteiros e serventes muitos portugueses. As crianças que, enlameadas, transportavam a água que não havia canalizada e tomavam conta umas das outras até ao regresso dos pais, ausentes nos estaleiros ou nos mercados a maior parte do dia. Gérald Bloncourt também esteve em Portugal nas aldeias do nordeste transmontano donde vinham muitos dos emigrantes que fotografou em França. E, mais tarde, festejou com os portugueses o primeiro 1º de Maio depois do 25 de Abril de 1974, e a revolução dos cravos.
Excerto do documentário "Gente do salto" de José Vieira
Para além de depoimentos do fotógrafo haitiano sobre o seu trabalho, podemos ver ainda nesta exposição os documentários “Gente do salto” e “Os anos da lama” realizados por José Vieira. “A expressão “o salto” contém a história dos emigrantes que, nos anos 60, partiram de Portugal, sem documentos, em direcção ao norte da Europa (...) O salto” era a emigração clandestina, literalmente o grande salto por cima das fronteiras dos milhares e milhares de portugueses que então fugiram da ditadura de Salazar. “O salto” eram separações e rupturas brutais. Esvaziaram-se aldeias inteiras, em segredo e debaixo de medo. Era a viagem do silêncio. Um acto de resistência e de desobediência que por vezes custou a vida. De tempos a tempos, a policia disparava como se perseguisse prisioneiros evadidos. “O salto era uma evasão que esperava pela amnistia: o regresso ao país. Porém “O salto” foi, quase sempre, a partida definitiva do país.”. Podemos ver no documentário de José Vieira. Ângela Camila Castelo-Branco
Visite o sítio de Gerald Bloncourt e o trabalho de Gérald Bloncourt no sítio do Sudexpresso um espaço virtual de memória e de história das migrações passadas e actuais.
sábado, fevereiro 23, 2008
“Ponto de Vista” não nos mostra apenas o ângulo escolhido pelo fotógrafo quando opta por determinada imagem. Não é o desfecho de uma espera por um “instante decisivo”. “Ponto de Vista” é o olhar do fotógrafo mas, também, do sociólogo que está dentro desse fotógrafo. No caso de António Barreto, um não pode ser desassociado do outro. Não apenas pelo facto de que as suas fotografias serão sempre associadas à ideia que temos do sociólogo/ fotógrafo, mas pela circunstância de que na realidade as fotografias são o resultado do trabalho de um fotógrafo / sociólogo.
Ângela Camila Castelo-Branco
"PONTO DE VISTA" é a primeira exposição de fotografias de António Barreto. Trata-se de uma selecção de fotografias recolhidas, em 2005 e 2006, durante a rodagem da série Portugal, um Retrato Social, realizado por Joana Pontes.
Em conjunto com a exposição é lançado o livro com o mesmo nome, disponível apenas na FNAC.
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domingo, fevereiro 17, 2008
As duas imagens parecem distinguir-se quanto à capacidade de o homem se afirmar perante o elemento em fúria. Vemos o esquiador mais próximo de ser esmagado do que o surfista, porque o primeiro está na metade inferior da fotografia e o segundo na metade superior. A ameaça ao esquiador é, porém, organizada com linhas rectas do gelo a cair em grossas cordas. A ameaça não passa da metade superior. Há, a meio da imagem, uma zona neutra e o esquiador fica a salvo não só por causa dessa distância como devido à sua posição: a forma triangular que assume com os esquis e o bastão resguarda-o. E, pelo movimento de fuga, em menos de um ápice o esquiador estará fora da fotografia, e esse devir é mostrado na imagem fixa. O gelo que cai, a zona neutra e o corpo do homem em movimento seguem todos na mesma direcção, o canto inferior direito seguindo a diagonal que parte do canto superior esquerdo.No caso do surfista, quase não há linhas rectas. A onda do mar é um remoinho, um vórtice que suga em direcção ao centro exacto da fotografia. É aí que está o fundo, o abismo, o ponto mais negro do mar na imagem. Acontece, porém, que a imagem nos dá uma sensação de que o homem não corre perigo. O corpo do homem, num magnífico movimento, acompanha a direcção da onda, mas ele está suspenso, acima da onda, acima do centro do abismo. O seu movimento ascensional diz-nos que ele salvar-se-á. Tal como o gelo, estas não são águas de dilúvio, mas afinal de renovação da vida. Nós sabêmo-lo porque há uma harmonia geométrica perfeita, e a perfeição é divina. O surfista está colocado exactamente acima do cruzamento das diagonais da fotografia. Ele está na metade superior da fotografia porque voa, foge da água em direcção ao céu enquanto o esquiador tinha de estar na metade inferior da fotografia porque foge da água que cai do céu, foge em direcção à terra. Atenção: o surfista está protegido pelo céu, mas também o esquiador, porque ambos estão no ar, não tocam no elemento em fúria, eles andam sobre as águas: poder divino, poder do homem forte e hábil que o desportista representa? Será como o leitor quiser receber estas imagens: mas em qualquer caso, não temerá por eles.Estando no Centro simbólico das imagens, os seus protagonistas não só representam a Ordem como a vitória sobre o Caos que os ameaça. Nas fotos, para mais, o Caos aparece organizado. Ambos os homens sugerem triângulos, símbolos de divindade, harmonia e proporção. E a fúria da Natureza é geometrica. As duas fotografias transmitem esteticamente essa dupla visão do Caos e da Ordem.É assim. As imagens dão-nos realidades, mas realidades aparentes. Elas só ganham sentido com a carga simbólica, sagrada ou profana, que transportam elas e que transportamos nós. São os símbolos que tornam estas imagens não só universais como transparentes, que nos permitem ver a transcendência, o mundo e o homem. Podemos camuflar os mitos e os símbolos, mas são eles que nos salvam. Merecem prémios.
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Eduardo Cintra Torres in "Olho Vivo", Público 16 de Fevereiro de 2008.

















