sexta-feira, dezembro 14, 2007

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BAZAR DE PHOTOGRAPHIA
na
Livraria Campos Trindade
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A Livraria Campos Trindade, promove no próximo sábado (dia 15-12-07) pelas 15:30 horas um excepcional Bazar de Fotografia. Nele encontrará um vasto conjunto de fotografias de diversos temas e épocas: Portugal, África, Europa e Américas.
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Desde 50 cêntimos!!
Não perca esta oportunidade.

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Bernardo Trindade
Livraria Campos Trindade
Rua do Alecrim, 441200-018
LisboaPortugal
Mail: mailto:campos.trindade@gmail.com
Tel. +351 213471857
Tm. +351 931166480
Fax. +351 213256992
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sexta-feira, novembro 30, 2007

M a r i a José Pa l l a
E x p o s i ç ã o d e Fotog r a f i a s 7 Dezembro d e 2 0 0 7




Auto-Retratos no Labirinto
Nuno Júdice



HÁ UMA SUCESSÃO DE PORTAS DE VIDRO QUE ABREM PARA OUTRAS PORTAS DE VIDRO.
Se nos aproximarmos, vemos que nem todas são iguais, embora o pareça. Há portas onde há corpos; e esses corpos talvez não estejam por trás das portas, mas apenas reflectidos nas portas. Digo "apenas" porque esta é a forma mais óbvia de dizer que estes corpos fazem parte dessas portas. Ao abrir o espelho, abrimos cada uma dessas figuras que as portas reflectem; e o que se encontra por trás, como nos espelhos paralelos, é o infinito que se abre, como um poço, ao desejo de saber o que está para além daquilo que se pode saber. Mas num espelho a sabedoria confunde-se com a visão; e se queremos ver o que queremos saber, teremos de saber o que queremos ver. Então, o caminho será outro. Ir de uma porta para outra porta não é o mesmo que ir de um espelho para outro espelho. Para entrar por uma porta teremos de bater à porta, e esperar que nos abram; e se não houver ninguém por trás da porta, ficaremos à espera, como se esse fosse o destino natural de quem quer entrar sem ter a chave de todas as portas. Do outro lado, porém, também pode haver quem queira fazer esperar; e enquanto se espera há tempo para fixar cada pormenor da porta, a não ser que essa porta seja um espelho. Então, o que se fixa é cada pormenor da imagem de quem está à espera reflectida nessa porta que é um espelho; e talvez que, no fim, quem esteja à espera descubra que, afinal, é ele mesmo quem está do outro lado do espelho, a fazê-lo esperar por si próprio. Os dois, porém, ele e ele mesmo, nunca se irão encontrar.
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É ESTA ENGRENAGEM LABIRÍNTICA QUE A FOTOGRAFIA DE MARIA JOSÉ PALLA PÕE EM MOVIMENTO. Vai fazê-lo, porém, como uma encenação, quase um bailado, de onde surgem figuras e sombras que se interpõem entre a câmara e o olhar, desviando a atenção para outros espaços onde, por vezes, é possível sairmos da beleza vestida de angústia que alguns destes caminhos põem no palco que a sua objectiva enquadra para um desenho quase abstracto do mundo que se abre entre os corpos e os objectos. Vemos o trabalho; mas descobrimos também que ele resulta de um jogo formal que desemboca na luz e na cor, em contraponto ao negro de certas portas, de certos espelhos, de certos planos. Espaços sem tempo, mas em que o espaço vai desenhando uma constelação geométrica que se liberta dos actores, transformados em sombras ou reflexos fugitivos num fundo quase fantasmático. Finalmente, no centro – mas tão no centro que a sua presença se torna transparente, como essa objectiva que o olhar atravessa na transmutação da realidade em cena fotográfica - a autora vai tornar-nos cúmplices do seu projecto. Para onde olha? Olha-nos? No fundo, vê para ser olhada - e nesse olhar colectivo, que é o olhar de cada um de nós, que adivinhamos à sua frente, recomeça o jogo inúmero dos espelhos.

terça-feira, novembro 13, 2007


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Inglaterra do final do século XIX as sufragistas.
Fotografia da Colecção Chausseau Flaviens na George Eastman House
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Em “Os ‘Olhares fotográficos’ dos estrangeiros I - De Charles Legrand e William Barklay a Man Ray”, falei dos que fotografaram Portugal no início da fotografia no nosso país e não me referi a Charles Chusseau-Flaviens. Os blogues têm a particularidade de podermos acrescentar sempre que nos provir aquilo que bem entendermos. Não hesitei, e lá acrescentei o fotógrafo francês. Pouco se sabe sobre este fotógrafo que terá trabalhado entre 1890 e 1910. Consultando a parte do seu trabalho que se encontra na George Eastman House, parece tratar-se de um dos primeiros repórteres fotográficos freelancer. Viajava com facilidade e tinha acesso a várias famílias reais europeias. Tinha também grande facilidade em fotografar quartéis e militares em exercício assim como o respectivo armamento, o que fez em vários países da Europa. Fotografava com muita frequência, cenas do quotidiano e fazia levantamentos etnográficos. Os ciganos na Roménia, negativos de alguma raridade e algumas vivências na Argélia, Marrocos e na Turquia, onde também adquiriu originais a (Sebah & Joailler), importante firma de fotografos estabelecida em Constantinopla. Percorreu a maioria dos países da Europa. Da colecção, uma das maiores da George Eastman House, fazem parte mais de 11.000 negativos em vidro. O conjunto foi entregue à Casa George Eastman pela Kodak Pathé em 1974. É provável que seja apenas parte da sua produção como fotógrafo isto porque, se atentarmos ao número de chapas em vidro feitas em França, uma insignificância, por exemplo da Exposição Universal de 1900 em Paris apenas se conhecem 2 chapas, leva-nos a suspeitar que a colecção na posse da George Eastman House não representa todo o seu trabalho. Tal situação, leva-nos a concluir que a sua obra é muito mais vasta. Chusseau - Flaviens quando viajava adquiria trabalhos de outros fotógrafos e produzia a bordo uma cópia. Ele incluía frequentemente o nome do fotógrafo na anotação em francês ao longo da borda do negativo em vidro. Assim se explicam os negativos da Nova Zelândia, Japão, Abissínia na Etiópia e outros países para onde Chusseau-Flaviens não pode ter viajado em pessoa. Na George Eastman House são em grande número os vidros da Bulgária, Roménia e Espanha. Surpreendente é o número de chapas sobre Portugal, cerca de 900 negativos em vidro. A sua diversidade geográfica contempla a cidade do Porto, com vistas de uma beleza rara a que a cidade já nos habituou e onde podemos ver o desembarcar do bacalhau na Ribeira. Cascais com as suas praias de pescadores, antes do turismo, os hotéis e os casinos as terem tomado; Mafra, Tomar e Sintra com os seus monumentos; Cacilhas, donde miramos a Lisboa do princípio do século XX; Coimbra, as pessoas, os estudantes e as tricanas, a universidade e o choupal. A sensibilidade de Chusseau - Flaviens quando regista os tipos sociais, os costumes, os vendedores ambulantes: de azeite, de carvão, de leite, de legumes, de aves, de peixe, de ostras, de pão, de perus, de alhos e cebolas, os aguadeiros, os varredores de rua, as lavadeiras, os calceteiros e a calçada portuguesa, os trolhas e os galegos nas mudanças, tudo estimula o estudo da cidade de Lisboa no inicio do século XX. Fotografou o exército português: a cavalaria, a infantaria, a artilharia nos quartéis e em manobras. Fotografou a marinha, os marinheiros e os seus barcos: o Douro, o Vasco da Gama, o Almirante Reis, o Tejo, o D. Amélia e o D. Luís.
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Fotografias da Casa Real Portuguesa na Coleção Chusseau Flaviens na George Eastman House
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A Coleção conta com um grande número de fotografias da família real portuguesa, D. Carlos, D. Amélia, D. Afonso e D. Manuel II. Em alguns dos negativos em actos oficiais mas, noutros negativos em situações menos formais ou pousando desportivamente para a câmara. D. Manuel II simulando esgrima ou com uma raquete de ténis na varanda do Palácio da Pena. Os primeiros republicanos, da carbonária como António Maria da Silva até ao primeiro Presidente da República, Manuel de Arriaga na varanda do Palácio de Belém. A colecção conta também com retratos de António José d’Almeida, João Chagas, Magalhães Lima, Braamcamp Freire, Afonso Costa, A. de Azevedo Vasconcelos, Teófilo Braga e o Patriarca de Lisboa D. António Mendes Belo. Apesar de algumas das fotografias terem sido adquiridas a fotógrafos e estúdios fotográficos portugueses como à Foto Vasques, não é de excluir que Chusseau – Flaviens tenha estado no nosso país pelo menos até 1910. A colecção conta ainda com uma fotografia da Rainha D. Amélia, muito nova, por volta de 1872, seguramente adquirida ou oferecida ao fotógrafo.
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D. Amélia cerca de 1872 Colecção Chusseau Flaviens na George Eastman House
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segunda-feira, novembro 12, 2007

quinta-feira, setembro 27, 2007

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Morte de um miliciano, Robert Capa, Cerro Muriano, 5 de Setembro de 1936
(25,5 x 35cm)
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MOMENTOS ESTELARES
LA FOTOGRAFÍA EN EL SIGLO XX

Inaugorou dia 26 de Setembro em Madrid e vai poder visitar até 18 de Novembro, no Círculo de Bellas Artes (desde o começo do século XX até aos anos 70), e na sala de exposições do Canal de Isabel II (desde os anos 70 até à actualidade), a exposição de fotografia “Momentos estelares – La Fotografia en el Siglo XX”. (...) Desde as fotografias de Stieglitz, Rodchenko ou Man Ray até às de Doisneau, Robert Frank, Andy Warhol ou Marina Abramovic, a exposição mostra a adolescência (juventude) da fotografia, o seu desenvolvimento (maturação) como meio de expressão e a sua consagração como uma das Belas Artes. (...) Esta é uma mostra sem precedentes em Espanha, disse na inauguração Juan Barja, director do Círculo de Bellas Artes, entidade organizadora da exposição com a Consejería de Cultura e Turismo da Comunidade de Madrid e Caja Duero. A iniciativa da exposição partiu da publicação em castelhano de "La fotografía del siglo XX", um dicionário histórico escrito por Koetzle, explicou Isabel Rosell, directora geral dos Arquivos, Museus e Bibliotecas da Comunidade de Madrid. (...) "Momentos estelares. La fotografía del siglo XX" está organizada em torno das grandes correntes fotográficas, como o pictorialismo, primeiro movimento que se integrou nas Belas Artes, a nova objectividade, impulsionada por Blossfeldt, Renger-Patzsch ou Rodchenko. O surrealismo, com as criações vanguardistas de Man Ray, Nougé ou Kertész, a fotografia subjectiva de criação livre de artistas como Steinert, as fotomontagens satíricos sobre Hitler de Heartfield (dentro da corrente Dada), são algumas das temáticas da eclosão da arte fotográfica que se podem ver em exposição. (...) Paralelamente à sua vertente artística, a fotografia do século XX encaminhou-se para a via documental e converteu-se em memoria / testemunho dos grandes acontecimentos sociais e históricos pelas objectivas de Eugene Smith, Brassaï, Cartier-Bresson, Robert Frank, William Klein ou Garry Winogrand. Instantâneos gravados na memória colectiva, como "A mãe imigrante”, da fotografa Dorothea Lange, ou "Morte de um soldado republicano", fixada por Robert Capa no início da guerra civil espanhola, são algumas das fotografias que podem ser vistas na exposição.(...) A exposição conta com originais cedidos por 71 instituições. Os fotógrafos Espanhóis mais conhecidos também estão representados, desde Echagüe, Català-Roca, Josep Renau e Masat, retratistas da Espanha do pós guerra, até aos trabalhos mais recentes de Isabel Muñoz, Alberto García-Alix, Chema Madoz, Joan Fontcuberta, Ouka Leele ou Luis González Palma.

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A mãe imigrante. Fotografia de Dorothea Lange

Comisarios:
Hans-Michael Koetzle e Oliva María Rubio
Local:
Círculo de Bellas Artes
Canal de Isabel II
Organização:
CBA
Consejería de Cultura y Turismo. Comunidad de Madrid
http://www.madrid.org/
Caja Duero
http://www.cajaduero.es/
ColaboraçãoLa fábrica
http://www.lafabrica.com/
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quarta-feira, setembro 26, 2007





“Atlas” na Rua dos Navegantes.
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“Atlas” é uma exposição que abre ao público no próximo dia 4 de Outubro na
p4Photography. Um espaço de fotografia que Luís Trindade inaugura em Lisboa.
Atlas, primeiro rei da mítica
Atlântida, mencionada pelo filósofo grego Platão, mas também, Atlas condenado por Zeus a carregar os céus sobre os ombros (da mitologia grega), - a partir daqui cada um fará a sua história.
Podemos ver nesta exposição trabalhos de três fotógrafos portugueses:
Carlos Miguel Fernandes, João Mariano e Rui Fonseca. Mais uma vez, Portugal e o mar, da Islândia ao Arquipélago dos Açores, do apanhador de percebes à recolha do sargaço. A exposição pode ser vista até ao dia 10 de Janeiro no n.º 16 da Rua dos Navegantes que desce em direcção ao Tejo e que subindo desemboca num gradeamento em ferro forjado sobre o “Jardim da Burra”, mesmo ao lado da Basílica da Estrela.
Na mesma rua no n.º 46, na
Galeria de Arte Contempo, inaugurou no dia 20 de Setembro uma exposição de um nome maior da fotografia portuguesa, Eduardo Nery. “Homem-Animal. Metamorfoses” são as fotografias que Eduardo Nery fez entre 2004 e 2006. José Luís Porfírio escreveu que “provocam deliberadamente um desequilíbrio que torna mais patente a ambiguidade do confronto entre o ícone humano e o animal”...”Trata-se dum conjunto feliz...que contrasta pela sua leveza com o peso das anteriores Metamorfoses...” Também no que diz respeito à fotografia desde 1976 que Eduardo Nery nos surpreende. Desta seremos seguramente mais uma vez surpreendidos.
As duas exposições obrigam os amantes da fotografia a uma passagem pela freguesia da Lapa. Desejo o maior sucesso à p4Photography. Decididamente, a Rua dos Navegantes vai ser estória na história da fotografia portuguesa. Que arribem a bom porto...
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Ângela Camila Castelo-Branco
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Fotografia de Rui Fonseca. Tempestade nos Açores
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Fotografia de João Mariano. Recolha do sargaço.
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Banhos na Islândia. Fotografia de Carlos Miguel Fernandes

p4Photography
Rua dos Navegantes n.º 16
Atlas
Carlos Miguel Fernandes / João Mariano / Rui Fonseca
Segunda a Sexta-feira das 14.00 às 18.00
Sábado das 14.00 às 18.00
Fechado ao Domingo e feriados
Inauguração 03 de Outubro às 20h00
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Rua dos Navegantes nº 46 A
Eduardo NeryHomem-Animal. Metamorfoses
20 de Setembro a 20 de Outubro de 2007
5ª feira a Sábado: 14h30-19h30
Inauguração 20 de Setembro às 21h30.


Fotografia de Eduardo Nery (Metamorfoses)
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quinta-feira, setembro 13, 2007