terça-feira, fevereiro 06, 2007


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Mural fotográfico para a ITN em Londres. Noel Myles (1996)



O pequeno e o grande em fotografia
Encontrar a escala certa duma prova fotográfica é uma decisão estética
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..........Sou daqueles que acreditam que não vem mal ao mundo por se apreciar a fotografia em termos das suas parentes próximas – o desenho, a pintura e a escultura, a literatura. Uma fotografia é também uma imagem, um objecto (uma folha de papel ou um ecrã numa máquina digital), um documento (que, no dizer errado, vale mil palavras). Já agora, a citação correcta é: “um olhar vale mil palavras”, ou “uma fotografia vale dez mil palavras”, ambas inventadas como provérbios orientais por um publicitário americano, Frederick R. Barnard, em 1921. O que não entendo é o escamoteamento doutras, bem mais importantes, qualidades – a presença do caos e do acaso, a possibilidade de reenquadramento e manipulação, a escala e a multiplicidade. Dum negativo ou de um pacote de informação digital podem extrair-se, sem perda de qualidade, tantos exemplares quantos se quiserem. É antifotográfico limitar a tiragem. Por antifotográfico quero dizer que contraria o próprio carácter da fotografia.
..........Que define, então, o carácter da fotografia, esse objecto plano desenhado a luz? Os aspectos atrás referidos são importantes, mas o mais importante de todos é o facto de a fotografia ser infinitamente reprodutível em qualquer escala (para maior ênfase, uso deliberadamente o exagero dos “infinitamente” e “qualquer”). Esta liberdade – porque é de uma enorme liberdade que se trata - advém-lhe de ser feita por uma máquina (embora os chamados fotogramas ou raiografos a dispensem). Mas há uma diferença importante entre as duas variáveis. O tamanho da edição é determinado pela procura; a escala é uma decisão estética que tem a ver com a qualidade e quantidade de informação que se quer transmitir. Há excelentes imagens latentes estragadas pelas dimensões com que foram reveladas. Também há fotografias banais valorizadas pelas dimensões com que foram impressas. Encontrar a escala exacta, eis a questão.
..........Em fotografia, é comum o erro de tomar a parte pelo todo. Quero dizer, vê-se uma prova ou vê-se uma imagem num jornal, revista ou livro e julga-se que a fotografia é “aquilo”. Bem, às vezes é – quando o artista a imaginou e criou para o jornal ou revista (ou para ser enviada por fax). Mas não lembra ao diabo pensar que a reprodução duma pintura num livro de história de arte seja a própria pintura!
..........Ao imprimir uma prova ou ao exigir controlar o “lay-out” da publicação, o fotógrafo tem de tomar uma decisão: a do tamanho final da imagem (além do enquadramento). Nela pesam os três intervenientes: o autor da foto, o sujeito da foto, o observador da foto. Pondo de lado a fotografia publicada, a merecer outro tipo de discussão, concentremo-nos na chamada prova final, em papel decente, obtida por via aquosa, jacto de tinta, laser ou qualquer outra técnica de impressão digital.
..........Em geral, o destinatário da prova é um de dois: o(a) amigo(a) sentimental ou o coleccionador (que pode ser também o próprio autor, galeria ou museu). Se a transferência é emocional (oferta a parente ou amigo), a prova é quase sempre pequena. Um presente é para ser desembrulhado, manuseado e tacteado (com ou sem luvas). Se o destino é a parede, é preciso atender ao ambiente, presença de outras imagens e objectos, iluminação, etc., mas a regra de ouro aponta para uma distância ideal de apreciação que é duas vezes e meia o comprimento da diagonal da imagem. Para uma fotografia de 30x40 cm, significa um recuo de 125 cm. Conclusão: as dimensões da sala põem um limite às dimensões da própria fotografia. Há provas que não podem ser mostradas em certas sítios (e não só por uma questão de pudor).
..........O sucesso da chamada “carte-de-visite” (c-d-v), uma espécie de cartão de visita fotográfico inventado por André-Adolphe Disdéri em 1858, tem a ver com o primeiro dos destinos acima citados: uma imagem (retrato) de 9x6 cm, do tamanho do coração, que cabe na palma da mão (ou na carteira); ainda por cima com a vantagem de vir multiplicado por 4 ou 6, graças ao número de objectivas da câmara fotográfica de Disdéri. Se o sujeito era célebre (reis, artistas, cientistas, políticos, etc.), as tiragens podiam facilmente atingir os milhares (o que não impede algumas c-d-v de serem hoje transaccionadas por milhares de dólares). O daguerreótipo era similarmente intimista, em geral 6x5 cm, mas com o grave inconveniente de ser exemplar único (e por isso não vingou). “Small is beautiful” e “tudo o que é pequenino é engraçadinho”. Em geral, o povo tem razão.
..........Mas o que verdadeiramente determina a escala ideal da fotografia é o sujeito, o seu conteúdo. Há coisas que merecem e ganham em ser ampliadas. Outras, pelo contrário, desintegram-se à nossa vista quando inchadas fora de todas as proporções (a expressão é vernácula, mas exacta). O significado depende do tamanho (e poucas imagens são suficientemente ricas para admitir vários significados). A coerência da informação depende da escala.
..........Encontrar a escala certa é um exercício a que muito poucos fotógrafos se dedicam, mas é ele que pode determinar o sucesso ou falhanço duma imagem. Em Portugal, Gérard Castello-Lopes tem escrito inteligentemente sobre o assunto, e José Luís Neto pratica-o com mestria. As imagens de “Irgendwo” (1998), o eloquente testemunho de amor que Neto presta à sua mulher, não só cabem na palma da mão, cabem até numa unha! No extremo oposto, em “22474” (2000), os minúsculos rostos encapuçados dos prisioneiros duma foto de Joshua Benoliel de 1912 são ampliados até ao estandardizado 40x30 cm; o grão não só acentua o carácter espectral da imagem como, paradoxalmente, confere uma personalidade própria a cada um destes reclusos sem rosto. Tal como Gulliver, Neto visita confortavelmente Lilliput e Brobdingnag (os países dos anões e dos gigantes, respectivamente).
..........A escala só é indiferente se o assunto tiver um carácter fractal, isto é, quando o pormenor reproduz o conjunto. Pense-se, por exemplo, no olho da espiral que continuamente se desenrola (ou enrola). Um objecto fractal não tem nenhuma escala e tem todas as escalas, isto é, pode ser apreciado a qualquer distância e em qualquer tamanho. Boas analogias são o estilo rococó ou a arquitectura Beaux-Arts, tão cheios de pormenores e elementos decorativos de todos os tamanhos que impressionam tanto ao longe como ao perto. Ou uma floresta, onde qualquer ramo de árvore é uma árvore em miniatura. Suspeito que as belas fotografias que Josef Sudek tirou nos bosques e florestas da Morávia funcionariam em qualquer dimensão, da prova de contacto, que ele preferia, ao mural de vários metros quadrados. Acontece o mesmo com fotocolagens iniciadas e popularizadas por David Hockney nos anos 1990. Um exemplo extremo é o mural compósito criado por Noel Myles para a ITN em Londres.
..........Só mais duas histórias exemplares sobre escala e tiragem (i)limitada. Nos anos 1980 resolvi adquirir uma imagem do fotógrafo japonês Eikok Hosoe, da famosa série “Abraço”. O galerista informou-me que havia vários formatos disponíveis, com preços variáveis (aumentando com a dimensão). Quando, passados meses, fui recolher a prova acabada de imprimir pelo artista, verifiquei, com espanto, que a imagem propriamente dita continuava do mesmo tamanho pequeno (pouco maior que um c-d-v), o rectângulo do papel branco é que tinha as dimensões por mim escolhidas, as habituais 10x8” (25x20 cm). Nesse tempo, Hosoe imprimia as imagens sempre do mesmo tamanho íntimo, independentemente do tamanho escolhido para o papel. Era assim que (a imagem) funcionava.
..........A outra história refere-se a Ansel Adams, o mais célebre fotógrafo de paisagens do século XX, instrumental na formação duma consciência ecologista. Porque será que a sua fotografia mais cara e valiosa não é sequer a melhor ou a mais rara, mas aquela da qual há mais exemplares, talvez mais de um milhar – o célebre Moonrise, Hernandez, New México, ou Nascer da Lua sobre Hernandez, de 1941 (que é, afinal, um pôr-do-sol)?
Há coisas em que o tamanho é moda – as saias, por exemplo (sou do tempo das mini-saias e das “hot-pants”). Ou a preferência estética, na Renascença, pela genitália masculina pequena (basta lembrar o David ou o Adão de Michelangelo, na Capela Sistina). Infelizmente, as dimensões das fotografias não podem ser uma questão de moda – a menos que se esteja disposto a atraiçoar o carácter da própria fotografia enquanto arte. A obsessão actual por grandes imagens, independentemente do seu conteúdo, faz-me lembrar a fábula da rã que queria ser boi. Sabe-se o que aconteceu. Dizem-me que em Portugal as fotografias pequenas não se vendem. O que mostra que grande, em fotografia, não é arte, mas comércio.


Jorge Calado in Expresso, revista Actual de 24 de Setembro de 2005, pág. 43/44





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José Luís Neto (série "22474", 2001).............................Carte-de-visite de Disdéri (1858)........................



quinta-feira, fevereiro 01, 2007

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Primeiros fotógrafos em Luanda
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Ouvimos, com alguma frequência, fazer referência a Abílio Simões da Cunha Moraes, como sendo o primeiro fotógrafo estabelecido em Luanda. Creio que tal ideia se baseia na afirmação feita por António Sena na sua História da imagem fotográfica em Portugal 1839-1997 (1), que é, e continuará a ser nos próximos tempos, a mais importante obra de referência em matéria de história da fotografia portuguesa. Certamente que, na altura em que a publicou, Sena não tinha conhecimento da existência de outros fotógrafos que ali exerceram essa actividade em datas anteriores.

Abílio Moraes iniciou a sua actividade fotográfica comercial em Luanda, em finais de 1867, «na casa encarnada ao fundo da Calçada Velha e Motamba», e cessou-a em finais de 1870 ou em inícios de 1871, ano em que veio a falecer a 28 de Março (2). Após a sua morte, a actividade do seu estabelecimento foi continuada pelo seu filho mais velho Augusto César e pelos irmãos. Mas, partindo de 1867, recuemos no tempo e vejamos que notícias temos de outros fotógrafos que por ali passaram e ali trabalharam.

A referência mais recuada à prática fotográfica em Angola é-nos dada pelo médico e historiador Augusto da Silva Carvalho (1861-1957), no seu trabalho pioneiro Comemorações do Centenário da fotografia: subsídios para a história da fotografia em Portugal(3). Nele afirma que o médico cirurgião Clemente Joaquim Abranches Bizarro tirou um retrato daguerreotípico a Babola, princesa da Huíla, que acompanhou o major Garcia Moreira nas suas explorações africanas. De facto, Silva Carvalho nunca viu o daguerreotipo original, mas unicamente uma litografia aberta por António Joaquim de Santa Bárbara, e impressa na litografia de Manuel Luís da Costa, estabelecida na rua Nova dos Mártires, n.º 14, em Lisboa(4). Tendo a informação de que Bizarro faleceu em Angola em meados de 1845, Silva Carvalho deduziu, naturalmente, que o retrato foi tirado em data anterior(5). No exemplar da Biblioteca Nacional, que Ernesto Soares consultou nos anos 40, alguém escreveu a lápis, na própria estampa, que o retrato foi feito por Bizarro em 1844, e litografado por Santa Bárbara em 1845(6). Na litografia que actualmente se encontra na Biblioteca Nacional, aparecem todas as informações que Silva Carvalho nos dá sobre esta imagem, menos uma, que nos interessa particularmente, a de ter sido feita a partir de um daguerreotipo. O que lá tem escrito é que foi «Retratado do vivo pelo Doutor Clemente Bizzarro»(7) De facto, esta afirmação coloca a possibilidade de o registo original ser um desenho feito à vista do modelo e não um daguerreotipo, o que nos parece mais plausível, pelos motivos que passamos a referir: na litografia, o desenho é de fraca qualidade: a mão e a cabeça parecem-nos desproporcionadas relativamente ao torso, e os detalhes anatómicos são pouco precisos. Se as outras litografias feitas por Santa Bárbara nos revelam um artista com uma capacidade de desenho muito superior à demonstrada na da princesa Babola, as que executou a partir de daguerreotipos são de um realismo espantoso e não se lhe comparam. Por último, nalguns retratos que litografou a partir de daguerreotipos, Santa Bárbara fez questão de o indicar na própria folha de impressão. Infelizmente, Silva Carvalho não indica a fonte de informação que lhe permitiu afirmar que o registo original era um daguerreotipo. Será que foi o próprio a deduzir que «retratado do vivo» se referia a um registo fotográfico? Pessoalmente acredito que assim seja(8), mas infelizmente já não podemos colocar-lhe esta questão. Assim, até se encontrar documentação que nos confirme o contrário(9), creio que esta litografia foi realizada a partir de um desenho de Clemente Bizarro, e não a partir de um daguerreotipo.

Em finais de Dezembro de 1849, o retratista sueco M. J. Schenk partiu de Luanda a bordo do brigue Novo Africano, com destino a Lisboa, onde aportou no dia 11 de Fevereiro do ano seguinte(10). Não sabemos se exerceu a sua actividade profissional em Luanda, mesmo que por um breve período. A trajectória profissional deste pintor e fotógrafo está bem documentada em Lisboa, onde foi um dos mais cotados fotógrafos retratistas dos anos sessenta. Não deve, no entanto, ser confundido com o pintor animalista August Friedrich Albrecht Schenck (Gluckstadt, Holstein, 1828 - Écouen, 1901) (11). Com 14 anos, este emigrou para Inglaterra e daí para Portugal, onde foi negociante de vinhos no Porto. Neste país foi-lhe concedido o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo. A determinada altura desistiu da carreira comercial e foi para França onde aprendeu pintura com Cogniet, tendo participado em várias exposições em Paris, em 1855, e nos anos 60 e 70. Veio a retirar-se para uma propriedade rural em Écouen, perto de Paris, onde viveu a maior parte da sua vida. Sobre August Schenck não dispomos de qualquer documentação que permita afirmar que exerceu actividade como fotógrafo(12).

Cerca de catorze anos mais tarde, mais precisamente no dia 3 de Novembro de 1863, chegou a Luanda, no vapor português Zaire, o marceneiro e fotógrafo José Augusto Teixeira, acompanhado da sua mulher e de dois filhos(13). Passados pouco mais de quinze dias, já tinha acabado de montar o seu atelier fotográfico na rua da Misericórdia, em frente do hospital, e anunciou que ia começar a tirar retratos no dia 23 do mesmo mês, pelos preços da tabela que ia expor no estabelecimento. Fotografava todos os dias, menos os santificados, desde as 9 horas da manhã até às 4 da tarde. Também se encarregava de qualquer obra de marcenaria «apromptando mobilias do mais fino e apurado gosto, com uma execução igual ás importadas de Paris ou Lisboa»(14). Em finais de Fevereiro do ano seguinte, Teixeira anunciou em Luanda que parara temporariamente os seus trabalhos fotográficos por falta de produtos químicos, mas que, tendo acabado de os receber pelo vapor Zaire, continuava a tirar retratos todos os dias não santificados, desde o primeiro até ao último do mês de Março, das 7 horas da manhã até às 2 da tarde(15). Dez anos passados, temos notícia de um J. A. Teixeira, que partiu de Luanda para os portos do norte de Angola, no dia 14 de Agosto de 1874, a bordo do vapor português Andrade (16) .



Anúncio do fotógrafo José Augusto Teixeira, em Luanda (Boletim Official
do Governo Geral da Provincia d' Angola,
n.º 47, 21 Nov. 1863, p. 402)
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Em 1864 registamos em Luanda a presença de um A. Pomarelli que, a 31 de Março de 1864, se deslocou desta cidade a um dos portos do sul de Angola, a bordo do vapor Africa(17). A 29 de Julho do mesmo ano partiu para Lisboa, a bordo do paquete português a vapor Zaire, com escala pelos portos habituais(18). Deve tratar-se do fotógrafo António Pomarelli que, segundo Baptista (19), foi recrutado em Paris, em Setembro de 1865, para trabalhar no Porto como operador(20) da Photographia Talbot. A ser a mesma pessoa, é possível que, antes da sua ida para o Porto, tenha fotografado em Angola.

Em meados de Março de 1867, com o título «Photografia em vidro.» ou «Photographia em vidro», Nicola de Luizi (ou Luisi, ou Luise)(21) anunciou em Luanda tirar retratos de várias dimensões, todos os dias das 7 às 9 horas da manhã, e das 3 às 5 da tarde, na casa térrea pertencente ao sr. Malheiros, defronte do Terreiro Público(22). No dia 11 de Setembro de 1869, «N. de Luíze, photographo», partiu de Luanda para os portos do sul de Angola, no vapor paquete português D. Pedro(23). Cerca dos anos 70, vamos encontrar este fotógrafo activo em Portimão(24).






Nicola de Luizi (Luanda) - Luís Pires da Costa, c.1867-69. Carte de visite (Col. Alexandre Ramires)

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É provável que no futuro venham a surgir mais informações sobre os fotógrafos de Luanda neste período recuado da história fotográfica. Para o período posterior a 1867, cremos que nos próximos tempos serão publicados estudos que desenvolvem e corrigem a informação já divulgada. Devemos encarar a pesquisa histórica à luz da sua natureza, a de um trabalho em progresso. Infelizmente, as fontes documentais disponíveis sobre Angola são escassas, mas é provável que existam em instituições angolanas e em colecções particulares, mais periódicos e imagens que permitam ampliar esta informação.


Nuno Borges de Araújo

Notas
1.
1.ª ed. Porto: Porto Editora, 1998, p. 87.
2. Boletim Official do Governo Geral da Provincia d'Angola. Luanda, n.º 50, (14 Dez. 1867), p. 602, n.º 14 (8 Abr. 1871), p. 165.
3. Carvalho, Augusto da Silva - Comemorações do centenário da fotografia: subsídios para a história da fotografia em Portugal. Separata das Memórias da Academia das Ciências de Lisboa. Classe de Ciências, Tomo III. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 1940, p. 11-12. Só no ano seguinte o mesmo texto foi publicado nas referidas Memórias [...], com a passagem citada nas p. 29-30
4. Santa Bárbara, António Joaquim de - Babolla princeza da Huilla [Visual gráfico / retratado do vivo pelo Doutor Clemente Bizarro; S.ta Barbara lith. - [Lisboa? : s.n., 1845] (Lx.ª: Lith. de M. L. da C.ta). - 1 gravura: litografia, p&b http://purl.pt/4784.
5. Id. nota 3.
6. Soares, Ernesto; Lima, Henrique de Campos Ferreira - Dicionário de iconografia portuguesa. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, vol. 1, 1947, p. 146, n.º 271.
7. Id. nota 4.
8. Passados 66 anos da data da sua publicação, o texto de Silva Carvalho continua a ser uma referência fundamental e base de trabalho para investigadores na matéria. No entanto, devem evitar-se as transcrições sem uma verificação prévia das fontes, uma vez que nele verificamos erros de vária natureza (interpretação de conteúdos, correspondência das notas com o texto, etc.) relativamente a fontes já verificadas (periódicos de Lisboa, Coimbra e Porto), o que não é surpreendente, se tivermos em consideração que o autor o publicou com cerca de oitenta anos de idade. Neste caso concreto, a indicação da litografia onde esta imagem foi impressa não foi lida correctamente por Silva Carvalho.
9. É possível que numa das 66 caixas que constituem o espólio de Silva Carvalho, existente no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, da Biblioteca Nacional (cota: BN Esp. E13), se encontre alguma carta ou nota que explique a sua afirmação.
10. Diario do Governo. Lisboa, n.º 37 (13 Fev. 1850), p. 171-172.
11. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa / Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, vol. 28, [s.d.], p. 862; Sena, op. cit., p. 37 e 41; Barreto, António - «fotógrafos.» Dicionário de História de Portugal. 1.ª ed. Porto: Livraria Figueirinhas, 1999, p. 61.
12. Albert (or Albrecht) Schenk (1828-1901), publicado no website.
http://ca.geocities.com/pfsearle@rogers.com/albertschenckdata01.html.
13. Boletim Official do Governo Geral da Provincia d' Angola. Luanda, n.º 45 (7 Nov. 1863), p. 376.
14. Ib. n.º 47 (21 Nov. 1863), p. 402.
15. Ib, n.º 9 (27 Fev. 1864), p. 84.
16. Ib., n.º 34 (22 Ago. 1864), p. 415-416.
17. Ib., n.º 14 (2 Abr. 1864), p. 119.
18. Ib., n.º 31 (30 Jul. 1864), p. 262.
19. Baptista, Paulo Artur Ribeiro - A Casa Biel e as suas edições fotográficas no Portugal de oitocentos [Texto policopiado]. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 1994, p. 51 [Dissertação de mestrado em História da Arte Contemporânea apresentada à F. C. S. H. da Universidade Nova de Lisboa].
20. Operador era o termo usado para designar aquele que, utilizando os aparelhos fotográficos, produzia as imagens num atelier fotográfico. Normalmente aplicava-se quando este era um empregado do estabelecimento.
21. Nos seus cartões fotográficos aparecem impressas as grafias Luizi e Luisi, e nos seus anúncios as grafias Luizi e Luise.
22. Boletim Official do Governo Geral da Provincia d'Angola. Luanda, n.º 11 (16 Mar. 1869), p. 113 (texto datado de 14 de Março); A Civilização da Africa Portugueza. Luanda, n.º 15 (28 Mar. 1867), p. 60 (texto datado de 27 de Março).
23. Boletim Official do Governo Geral da Provincia d'Angola. Luanda, n.º38 (18 Set. 1869), p. 454.
24. Retratos no formato Carte de visite (Col. Alexandre Ramires).

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

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Capa e página originais do Scrapbookd de Henri Cartier-Bresson, 1946 . Henri Matisse na sua casa, Villa "Le Rêve", Venice, Sul de França, 1943, © Henri Cartier-Bresson/Magnum. Henri Cartier-Bresson, Bruxelles, Belgica, 1932, © Henri Cartier-Bresson/Magnum

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.HENRI CARTIER-BRESSON’S
SCRAPBOOK PHOTOGRAPHS 1932-46
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.“Ma passion n’a jamais été pour la photographie ‘en elle-même’, mais pour la possibilité, en s’oubliant soi-même, d’enregistrer dans une fraction de seconde, l’émotion procurée par le sujet et la beauté de la forme, c’est à dire une géométrie éveilée par ce qui est offert. Le tir photographique est un de mes carnets de croquis”
Mind’s Eye de Henri Cartier-Bresson


Durante a ocupação de Paris pelos alemães, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque presumindo que o fotógrafo francês, Henri Cartier-Bresson (1908-2004), estava morto decidiu fazer uma retrospectiva póstuma à sua obra. No entanto, para grande espanto de todos, Cartier-Bresson tinha conseguido fugir em 1943 do campo de prisioneiros alemão onde esteve durante três anos.
Uma vez informado da preparação duma homenagem Cartier- Bresson decidiu participar activamente na exposição que estava a ser preparada em sua honra. Quando chegou a Nova Iorque comprou um álbum de fotografias de estilo victoriano “Scrapbook”. Seleccionou e organizou colando cronologicamente 346 imagens que foram a base da escolha do MOMA para a exposição que se efectuaria em 1947. O próprio Cartier-Bresson imprimiu as provas que correspondiam aos trabalhos que fez entre 1932-1946, onde se incluíam aqueles que testemunhavam os encontros que teve com artistas ligados ao surrealismo e à arte moderna.
Em 1990, Cartier Bresson desmontou o famoso álbum que podemos ver agora nesta exposição no International Center of Photography de Nova Iorque, restaurado e de novo remontado seguindo os critérios originais.
No ICP poderemos ver, não apenas as imagens que se tornaram famosas, como também várias versões das mesmas, dando a ver não só o processo de escolha como também uma forma única de olhar. São “momentos decisivos” de alegria, sofrimento e morte, com um ritmo de formas modernistas.
O formato pequeno (10x8 cm) destas tiragens em sais de prata é extremamente marcante sobretudo numa cidade em que a maioria das fotografias expostas têm pelos menos um metro.
A exposição foi organizada por Agnes Sire do Museu Henri-Cartier Bresson de Paris e está patente até 29 de Abril, 2007

Em 1947, o fotógrafo fundou a agência fotográfica Magnum com Bill Vandivert, Robert Capa, George Rodger e David Seymour. Nascia o Cartier-Bresson fotojornalista.
Cartier-Bresson registou a guerra civil espanhola (1936-39); a libertação de Paris; testemunhou os últimos dias e por fim a morte de Gandhi; a vida na União Soviética; fotografou os eunucos imperiais chineses logo após a Revolução Cultural de Mao.
Registou com grande poesia a essência humana em momentos de profundas transformações. Os retratos que fez de artistas como Picasso, Matisse, etc. ilustram o que definiu como o “silêncio interior duma vítima que consente”. Fixou a expressão genuína, o momento em que a pose deixa de ser forçada para transmitir algo de “verdadeiro” revelando assim a essência do individuo. Foi dono de uma intuição rara e ensinou-nos a disciplinar o olhar.




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O pintor frances Henri Matisse fotografado por Henri Cartier-Bresson

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O escritor André Pieyre de Mandiargues e a pintora Léonor Fini. Trieste, Italia, 1933. Ao lado Jean-Paul Sartre, Paris 1946. Biblioteca Nacional de França, Departamento de Estampas e de Fotografias. © Henri Cartier-Bresson ⁄ Magnum Photos


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Martin Munkacsi
“Think While You Shoot”
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Abertura do Parlamento em 21 de Março de 1933, "Potsdam Day" — "Desfile do exército alemão frente ao Palácio de Postdam" 1933. Foto de Martin Munkacsi. © Joan Munkacsi, Cortesia de Ullstein Bild.


Paralelamente à exposição de Cartier Bresson, o ICP - International Center of Photography de Nova Iorque, mostra a obra de Martin Munkacsi (1896-1963). O fotógrafo Húngaro que trabalhou durante os anos 20 e 30 em Berlim e imigrou para os Estados Unidos em 1934. “Boys Running in the Surf at Lake Tanganyika”, 1930, é sem dúvida a fotografia que mais se associa à obra de Munkacsi. A fotografia que fixou as três crianças africanas a correr para as águas do Lago Tanganyika e em que o movimento dos corpos nus em liberdade nos transmite uma sensação de leveza e espontaneidade. Cartier-Bresson afirmou que esta imagem o tinha marcado profundamente, quando a viu pela primeira vez em Marselha, “de repente realizei que a fotografia poderia alcançar a eternidade através do momento. Peguei na minha máquina e saí para a rua”.
Munkacsi trabalhou como fotojornalista na Hungria cobrindo acontecimentos desportivos e em Berlim nos anos da ascensão de Hitler ao poder. Fotografou o “ dia Potsdam” que marcou a ascensão do ditador Nazi e ainda registou as políticas anti semitas de Hitler, das quais teve de fugir como muitos dos seus colegas judeus. Enquanto as imagens de desporto propagam uma sensação de liberdade, as sociais e políticas são rigorosas e por vezes assustadoras.
Em Nova Iorque Munkacsi trabalhou para a revista Harper’s Bazar onde em 1934 publicou a foto da socialite Lucille Brokaw em fato de banho na praia. Foi um momento marcante em que a fotografia de moda deixou o estúdio e as poses forçadas para uma atitude mais naturalista e ligeira. O fotógrafo Richard Avedon afirmou, “Munkacsi trouxe um sabor a honestidade e alegria e um amor à mulher, ao que até aí tinha sido uma arte morta e sem energia”.
As fotografias como aquela onde podemos ver Fred Astaire (1936), desafiando a gravidade e onde as acrobacias são paradas no tempo enquanto a sombra na parede branca tem a forma dum cisne em movimento, marcam um estilo próprio a Munkacsi.
A exposição foi organizada por Carol Squiers do ICP e Sandra Phillips do Museu de Arte Moderna de São Francisco.

Rita Barros, Nova Iorque. Fevereiro 2007



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Fred Astaire a dançar, 1936 e Lucille Brokaw (Harper's Bazaar, 1934 Dezembro). Fotografias de Martin Munkacsi


A história de 2 fotografias, Henri Cartier-Bresson & Martin Munkacsi
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Crianças africanas correm para a água, 1930. Lago Tanganika no Congo. Fotografia de Martin Munkacsi.

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domingo, janeiro 28, 2007


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Histórias de Fotografias 1 .
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..........Tenho, na minha colecção, algumas fotografias “misteriosas”. Por uma qualquer razão fácil de imaginar. Pelos autores, pelos objectos, pela data ou por outro motivo estranho. São imagens que não se deixam identificar, que não revelam as suas origens, ou que escondem o propósito de quem as fez. De vez em quando, como acontece a outros coleccionadores, abre-se uma porta. Após longas investigações ou por mero acaso, de repente, como num laboratório após um banho de revelador, as imagens oferecem algo. Ou tudo. Uma informação num jornal, uma fotografia idêntica mas documentada, uma história lida em livro ou memórias, qualquer pista pode ajudar a desvendar o mistério. Entre as fotografias que cabe nesta categoria de “misteriosas”, conto estas duas que adquiri, sem grande entusiasmo, há mais de vinte anos. Se bem me lembro, foi na Livraria Histórica e Ultramarina, do José Maria da Silva, “O Almarjão”, na Travessa da Queimada, ao Bairro Alto. Uma delas é uma cena de aldeia ou de quinta. Um terreiro, casa de quinta, edifícios de armazéns ou lagares, alfaias várias, umas pipas e algumas pessoas. São cerca de trinta pessoas, das quais três ou quatro mulheres e talvez dois ou três jovens ou adolescentes. Dois ou três homens de “condição superior”, talvez patrões, proprietários ou comerciantes. Os restantes parecem todos trabalhadores. Alguns dos figurantes, sobretudo os mais “bem vestidos”, olham directamente para a câmara, posam. Outros parecem estar a fazer o que devem fazer, trabalhar, mas mostram uma estranha pose estática. Na verdade, estão rígidos, em diversas posições, espalhados pela cena. Ao centro, em segundo plano, alguns estão sentados no chão, perto do que parece ser uma eira com caroças ou espigas de milho. A casa pode ser portuguesa, mais do Norte do que do Sul. Podia ser no Douro, nas Beiras, eventualmente Estremadura. A presença de pipas sugere evidentemente uma região vinícola. As paredes podem ser de xisto, não tenho a certeza. Mas as escadas de entrada da casa principal, à esquerda ao fundo, são talvez de granito trabalhado em redondo. Mais estranho, e aqui começa o mistério, é que esta imagem tinha uma companhia. A segunda fotografia é exactamente do mesmo sítio, o ângulo de tomada de vista é praticamente o mesmo (o fotógrafo deve ter-se deslocado uns centímetros à direita, a supor que esta foi feita depois da outra...), a fotografia foi feita quase à mesma hora (o que se vê pelas sombras nas paredes e no chão). Há pequenas diferenças entre as duas, nomeadamente uma pipa que não está na mesma posição, o mesmo se podendo dizer de uma caixa e de um ou outro artefacto. Mas surge um objecto realmente estranho, que apenas se tinha apercebido na primeira: parece ser um equipamento fotográfico, montado sobre tripé (poderia ser uma câmara escura de mudança de chapas). Mas a maior diferença salta aos olhos: na segunda fotografia, não há uma única pessoa. É este o mistério. O que terá estado na origem destas imagens? Por que razão alguém quis fotografar um terreiro de quinta, destas duas maneiras: uma com pessoas, outra totalmente deserta? O que se queria mostrar? Por si só, cada fotografia é uma imagem simples, uma ilustração, uma recordação ou um testemunho. Não há nada de muito especial, uma família, uma comemoração ou uma operação agrícola. Não é uma casa muito vistosa, nem um rico solar. Não é um momento particular da vida da quinta ou da família. Não parece ser um motivo “rico” de viajante ou turista, muito menos de fotógrafo com pretensões antropológicas. Cada uma é uma fotografia banal. As duas juntas encerram um segredo. A datação, estimada, pode ser feita em cerca de 1890.


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..............................© Colecção António Barreto

..........Vinte anos depois de as ter comprado e de muitas vezes nelas ter tropeçado, sempre com a mesma estranheza, abriu-se subitamente uma luz. Ao visitar a exposição de fotografias sobre o “Douro”, na Cadeia da Relação, no Porto, organizada pelo Centro Português de Fotografia, encontro uma fotografia igual a uma das minhas, aquela que está “povoada”. Ainda por cima, vejo que pertence aos meus amigos Ângela Camila e António Faria. Para minha alegria, a imagem traz uma breve identificação: “Mesão Frio”. Eis que avancei um passo. Entretanto, mostrei à Ângela a segunda imagem, a “deserta”. Ela ficou tão perplexa quanto eu. Apesar da localização, o segredo persiste.

António Barreto, Janeiro de 2007.

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...........A terceira fotografia, muito mais bem digitalizada do que as minhas, é a da Ângela e do António.

© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

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Esta secção, Histórias de Fotografias, está aberta a todos os que quiserem contar histórias interessantes das suas imagens.

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

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Apresentação
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A Associação Portuguesa de Photographia
e o seu Blogue

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...........Não se pode dizer que tudo tenha começado aquando do primeiro leilão de fotografia antiga organizado, em Junho de 2006, pelos primos Trindade da Potássio 4. Mas, usando termos apropriados, pode afirmar-se que, nessa ocasião, tudo foi revelado. Os que se reuniram por essa altura já há muito perdiam horas e dias e anos de vida com esta arte, com a investigação histórica e com as colecções. Mas nunca tinham estado todos juntos, ao mesmo tempo, com o mesmo propósito. Foi então que, por iniciativa de Ângela Camila e de António Faria, um grupo de amigos da fotografia, amadores, profissionais, coleccionadores e outros se encontrou para jantar. Éramos duas dúzias.
..........Trocámos nomes e endereços, de preferência electrónicos, mostrámos umas fotografias, marcámos encontro para dois dias depois no leilão do CCB. O leilão foi, como se sabe, um êxito. Daí até ao segundo leilão, que se realizou em Novembro de 2006, fomos falando e escrevendo. Alguns de nós não queriam ficar por esses efémeros encontros de véspera de leilão. Muito havia que dizer. Queríamos conhecer-nos melhor, saber o que os outros faziam, que imagens, livros, máquinas ou fotógrafos preferiam. O segundo encontro, desta vez um almoço em fim-de-semana, proporcionou conversas mais concretas e intenções mais firmes.
..........Recordámos tempos passados, quando, há vinte ou trinta anos, eram apenas um punhado deles os que gostavam de fotografia e se interessavam pelas imagens antigas. Lembrámo-nos de que nos víamos, por acaso, nos alfarrabistas e nos antiquários. Tínhamo-nos encontrado “no Almarjão”, o Zé Maria da Livraria Histórica e Ultramarina, de Lisboa; ou “no Nuno”, o Nuno Canavês da Livraria Académica, no Porto; ou “nos Ferreiras”, Pai e Filhos, do Porto; ou “nos Trindades”, da Rua do Alecrim, em Lisboa; ou em tantos outros locais de culto e peregrinação.
..........Verificámos que já éramos muitos, umas dezenas, que cultivavam o género e a arte. Uns fazem fotografia, outros estudam-na. Uns coleccionam imagens, outros sabem ler fotografia. Todos conhecíamos os nomes consagrados. O António Pedro Vicente, que, quase sozinho, durante décadas, presidiu a uma das melhores colecções de aparelhos fotográficos da Europa, a qual agora reside, e bem, no Centro Português de Fotografia, na Cadeia da Relação, no Porto. O António Sena, em tempos proprietário e animador da galeria “Éther, só não vale tirar olhos”, em Lisboa, ulteriormente autor da principal História da fotografia portuguesa, a “História da imagem fotográfica em Portugal, 1839-1997”. O Jorge Calado, um catedrático de química, amante de música e fotografia, que nos habituámos a ler nos jornais e em catálogos e que se tornou indispensável. O José Pessoa e a Vitória Mesquita, antigos do Arquivo Fotográfico de Lisboa e actuais do Inventário Artístico de Portugal, entre os primeiros a fazer da preservação e do restauro de imagens fotográficas a sua profissão e a sua paixão. Os irmãos Alexandre e António Ramires, pioneiros em Coimbra e que ao país dão lições de estudo e divulgação da fotografia histórica. O João José Clode, com uma das melhores e mais bem conservadas colecções. O Eduardo Nobre, coleccionador e escritor, com particular sabedoria em tudo o que é Casa Real, famílias nobres e costumes militares. O Luís Pavão, um Mestre do restauro e conhecedor como poucos da fotografia antiga. O João Loureiro, especialista em imagens e postais fotográficos ultramarinos, com pelo menos uma dezena de livros publicados. A Luísa Costa Dias, da Fototeca Municipal de Lisboa, onde tem obra feita. A Teresa Siza, fundadora e tenaz directora do Centro Português de Fotografia. A Isabel Corte Real e o Sérgio Mah, que estiveram à frente do Lisboa Photo. O José Luís Madeira, um dos veteranos destas artes e destes circuitos. O Sérgio Gomes, um dos mais novos, mas já com obra no “Público” e na “blogosfera”. Luís e Bernardo Trindade, da Potássio 4, responsáveis pelos primeiros leilões de fotografia feitos em Portugal. O José Manuel Ferreira, perito da estereoscopia fotográfica, com experiência internacional da blogosfera. Paulo Catrica, Luís Saragaa Leal, Rita Barros, Albano da Silva Pereira (dos Encontros de Coimbra), Carmen Almeida, Rui Prata (dos Encontros de Braga); Emília Tavares (do Museu do Chiado); Silvestre Lacerda (da Torre do Tombo); Manuel Magalhães; João Vilhena, Fátima Marques Pereira, Ana Vicente, Gérard Castello-Lopes, José Rodrigues, Vasco Graça Moura, José Pacheco Pereira, António Pedro Ferreira, Rui Ochoa, Eduardo Gajeiro, Paulo Nozolino, Daniel Blaufuks, Isabel Soares Alves, Maria José Palla, Nuno Borges, Delfim Sardo, Eduardo Nery, José Afonso Furtado, Marta Sicurella, Mafalda Ferro, Pedro Franco, Mário Cameira, Pedro Aguilar, Teresa Margarida Rebelo: uns juntaram-se a nós, outros gostaríamos que se juntassem também. E, se os últimos são os primeiros, Ângela Camila e António Faria, coleccionadores, estudiosos, animadores e divulgadores como poucos.
..........O inevitável sussurro começou depressa. “Não podemos ficar por aqui”! Muito depressa surgiram a palavra e o desejo: “E não deveríamos fazer uma associação, ter um local, fazer um Blogue, organizar um sítio na Internet, publicar uma revista...”? Todos queriam arranjar uma maneira de poder prosseguir o diálogo e a troca de informações e de contactos, eventualmente trocar imagens e aparelhos, mostrar as respectivas colecções, escrever sobre o que conheciam, aprender o que não sabiam. Quando uma boa ideia começa a caminhar, não é possível travá-la. Esta já deu uns passos. Acarinhada por vários entre nós, mas especialmente cuidada pela Ângela Camila e pelo António Faria, a ideia começa a ser realidade. Já existem projectos de estatutos, já são conhecidos os primeiros vinte ou trinta voluntários que querem dar o seu contributo. Já existe este Blogue que se destina, em primeira mão, a divulgar a Associação (APPh) e a discutir os seus estatutos e a sua missão. Mas também, desde já e logo a seguir, a angariar sócios, a fazer de newsletter, a transformar-se em revista, a metamorfosear-se em galeria, álbum, arquivo, jornal, diário, marco do correio ou posta-restante.
..........Além do que acima fica referido, o que pretendemos desta Associação e deste Blogue? Estimular a discussão e suscitar os comentários sobre qualquer assunto relativo à fotografia. Provocar o sentido crítico. Contribuir para a construção de uma base de dados permanente sobre fotógrafos, espólios, coleccionadores, imagens importantes, colecções, leilões, acontecimentos e exposições. Divulgar galerias permanentes e temporárias. Mostrar fotos raras e especialmente interessantes. Criar temas a fim de atrair contribuições voluntárias. Promover a reflexão e o estudo sobre a fotografia e sua história. Fomentar a redacção de críticas e comentários a exposições, assim como de recensões de livros. Desenvolver a vocação de “guia”, com a inclusão de “links”, referências e endereços nacionais e internacionais de blogues, sítios da Internet, galerias, comerciantes, casas de leilões, bibliotecas especializadas, museus e coleccionadores.
..........Gostaríamos também que a APPh viesse satisfazer uma necessidade que muitos ressentem, a de dar voz aos que querem influenciar decisões públicas e privadas sobre a fotografia em Portugal. Questões como a legislação sobre os bens patrimoniais ou os direitos de autor e de imagem; ou como sobre a actuação pública nesta área, o financiamento destas artes, a preservação do património e o ensino da fotografia nas escolas, merecem ser mais discutidas na praça. Começa a ser tempo de ver os interessados participar de modo mais eficaz nestes debates públicos.
..........Os Estatutos da futura associação já estão em processo de elaboração. Dentro de pouco tempo, quando tivermos um rascunho digno de ser mostrado, será este mostrado no Blogue, ou, para falar o novo vernáculo, será “postado” para consulta, comentários, sugestão e discussão entre todos os interessados.
Desejamos que, a partir de agora, todos os interessados contem com este espaço para a publicação de textos que considerem ajustar-se às ambições do Blogue e da APPh. No início, a Ângela Camila e o António Faria, que idealizaram este Blogue e fizeram a sua primeira versão, editarão o material recebido. Depois, a APPhotographi@ On-line vai ter colaboradores permanentes e um núcleo restrito de gestores e editores do espaço que, por uma questão de viabilidade operacional e disciplinar, são imprescindíveis para o mesmo. As imagens que venham a ser "postadas" terão evidentemente que responder a certos critérios. Têm de ser identificadas e datadas, quando possível. Deve ser feita menção à origem e à proveniência. Estarão acompanhadas de descrição e comentários, quando quiserem os que tomaram a iniciativa. Terá de ser evidente a autorização para editar no Blogue.
..........Vamos começar. Só espero que este Blogue seja o início de uma longa e bela caminhada. Amiga, pois claro. E estudiosa.
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António Barreto

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Projecto estatutos da:
APPh. - Associação Portuguesa de Photographia
Pre
Preâmbulo
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Este é o projecto de estatutos da APPh, elaborado por alguns dos primeiros animadores da Associação. Está aberto a críticas e sugestões, melhoramentos e acrescentos, durante os próximos trinta dias. Têm de ser aprovados, mas só depois de a APPh estar devidamente legalizada e registada em cartório. A auto-designada comissão promotora terminará as suas funções o mais rapidamente possível, dando origem a uma Comissão Instaladora. Depois da formalização da associação, uma primeira Assembleia Geral procederá às devidas eleições e aprovação dos estatutos.
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Cap. I
Denominação – Objectivos - Sede


Art. 1.º
A APPh. - Associação Portuguesa de Photographia é uma associação, doravante designada como APPh, que reúne e serve as intenções de todos os cidadãos residentes em Portugal e que se interessam pela fotografia.

Art. 2.º
A APPh., sem propósitos de especulação comercial nem fins lucrativos, tem como objectivos o estudo histórico e o progresso científico e artístico da fotografia nas suas implicações técnicas, históricas e sociológicas e aplicações científicas e artísticas, designadamente:

a) A investigação sociológica e histórica da imagem fotográfica; a memória fotográfica e a sua preservação, tendo também em conta as novas tecnologias (digitais) e o que tal implica; a aplicação de métodos de inventariação e catalogação com base nas ciências documentais; a investigação estética e artística inclusivamente na fotografia moderna.
b) Contribuir para o esclarecimento da importância da fotografia na memória colectiva, nomeadamente a sua componente sociológica e o seu lugar nas ciências documentais.
c) Dignificar o património fotográfico nacional, apoiando iniciativas com o mesmo fim e combatendo energicamente as arbitrariedades, o desleixo e o abandono do património fotográfico nacional.
d) Estimular organização de uma biblioteca e centro de documentação que se proponha a execução de biografias e a recolha de documentação actual dos agentes da fotografia em Portugal (fotógrafos, investigadores, historiadores, etc., etc.,), com preocupações futuras.
e) Organizar exposições, cursos, conferências, colóquios e consultadoria.
f) Contribuir para o fomento do ensino da fotografia em todos os níveis e graus de ensino.

Art. 3.º
A APPh procura junto de entidades oficiais e privadas, os apoios financeiros, logísticos e científicos de assessoria para a associação e para o desenvolvimento das suas actividades.

Art. 4.º
A APPh deverá desenvolver e manter todas as formas de comunicação necessárias à prossecução das suas actividades, nomeadamente:

a) A APPh manterá, se assim se justificar, o seu blog (weblog) apphotographia.blogspot.com que será um diário com características jornalísticas de informação nacional e internacional, desempenhando também as funções de uma revista On line e de uma newsletter com o principal objectivo de manter um diálogo permanente entre os seus membros e com todos os interessados pela fotografia.
b) A APPh criará também uma página na net (website) http://www.apphotographia.com/ com o fim específico de servir de ligação e de informação sobre as actividades da APPh, página esta que poderá ser gratuita ou paga pela associação, conforme as necessidades e as disponibilidades.
C) A APPh. para além do endereço da sua sede terá um endereço electrónico vulgar E-mail apphotographi@gmail.com

Art. 5.º
A APPh. propõe-se estabelecer protocolos com associações e outras entidades
ligadas à fotografia em Portugal e também com as suas congéneres em todo o mundo com o fim de estabelecer intercâmbios que sirvam a associação e os seus associados.

Art. 6.º
A sua duração é por tempo indeterminado. A sua sede é em Lisboa (em local a determinar).

a) Podem porém funcionar secções em qualquer localidade do país sempre que os sócios em número superior a 5 assim o entenderem.
b) Podem também constituir-se secções, estas com perfeita autonomia, nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira; nos países de língua oficial portuguesa que não tenham ainda associação ou sociedade congénere e com o fim de criar nestes países uma organização equivalente.

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Cap. II

Direitos e obrigações dos Sócios e deveres da Associação

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Art. 7.º
São direitos e obrigações dos Sócios:

a) A divulgação dos trabalhos de investigação sobre fotografia dos associados junto dos restantes associados e de entidades públicas e privadas cujo interesse se justifique e assim seja acordado com os autores desses trabalhos
b) A divulgação pelos associados dos novos conhecimentos em fotografia, sobretudo na investigação científica, na arte e na história, efectuados em Portugal e no estrangeiro.
c) A procura junto das entidades oficiais e privadas apoios para a preservação e conservação de espólios de relevância nacional e que sejam pertença dos seus associados. Estes têm direito a assessoria e informação gratuita por parte da Associação e dentro dos conhecimentos que esta possa por à disposição dos associados.
d) Participar nas actividades da APPh.
e) Intervir nas reuniões da Assembleia Geral, discutindo e votando todas as deliberações.
f) Eleger e serem eleitos para os órgãos sociais da APPh.
g) Cumprir as obrigações decorrentes dos presentes estatutos e as que resultarem das deliberações dos órgãos da APPh.
h) Exercer os cargos para que forem eleitos ou designados.
i) Liquidar pontualmente as suas obrigações monetárias para com a associação.

Art. 8.º
Deveres da Associação

a) A APPh deve desenvolver todos os esforços e empenhar-se na aproximação dos agentes da fotografia antiga na sua componente histórica e científica e dos agentes da fotografia moderna, inclusive na sua componente artística, estética e teórica.
b) A APPh deve ir ao encontro dos novos valores no campo das artes e na investigação, apoiando-os com os seus conhecimentos e experiência e utilizando o prestígio da associação na ajuda para a concretização de publicações de divulgação e exposições desses valores emergentes, no campo prático e no estudo da teoria da estética da nova fotografia artística e científica.
c) A APPh deve, para o bom andamento dos fins científicos a que se propõe, contar com o empenhamento dos seus membros em patrocinar o intercâmbio científico dos novos conhecimentos na fotografia em Portugal e no estrangeiro.
d) A APPh deve apoiar os seus associados em tudo o que concerne a inventariação, catalogação, conservação e restauro de colecções de fotografias, espólios fotográficos, objectos e documentação que façam parte da história da fotografia e sejam pertença dos associados. A APPh deve apoiar os seus associados com soluções para a boa preservação dos objectos ou das colecções que estes possuam e que tenham interesse para a história da fotografia.
e) Deve a associação promover exposições dos trabalhos dos seus associados fotógrafos, junto de entidades públicas e privadas, assim como de colecções ou espólios de fotografia pertença dos seus associados.
f) A APPh propõe-se ainda empenhar-se no aconselhamento jurídico aos seus associados no campo do direito de autor na fotografia e no património fotográfico.
g) A APPh procurará estimular a reflexão, a criação, e elaboração, a edição e a divulgação de estudos e investigações sobre a fotografia, tanto antiga como contemporânea, nos seus múltiplos aspectos estético, histórico, técnico, documental e informativo.
h) A APPh procurará intervir, junto da opinião pública e das entidades públicas relevantes, com a finalidade de desenvolver, melhorar e modernizar a legislação nacional sobre a fotografia, o património fotográfico, o comércio de espécies fotográficas, os direitos de autor de imagens fotográficas e todas as restantes actividades relativas à arte fotográfica.
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Cap. III

Sócios – Admissões – Readmissões -Quotas

Art. 9.º
Podem ser sócios da APPh todos os indivíduos sem limite de idade (necessitando os menores de autorização dos pais ou tutores), portugueses e estrangeiros.

Art.10.º
Podem também inscrever-se como sócios as entidades públicas e as privadas que estejam legalmente constituídas.

Art. 11.º
Os sócios podem ser: Sócios Fundadores, Sócios Efectivos, Sócios Correspondentes e Sócios de Honra.

a) São Sócios Fundadores todos os que se tenham inscrito na APPh. até à sua constituição em notário.
b) São Sócios Efectivos todos os Sócios Fundadores e aqueles que se constituam como sócios e na associação permaneçam para além de seis meses.
c) São Sócios Correspondentes aqueles que se encontrem a residir no estrangeiro e que trabalhem voluntariamente para a associação, assim como os sócios em secções de países de língua oficial portuguesa conforme no Cap. I art. 6.º b).
d) São Sócios de Honra todos aqueles que por motivos de relevância para a fotografia ou para a associação são propostos por maioria qualificada pela administração da APPh ou por proposta de qualquer associado e votado favoravelmente pela Direcção da APPh. ou em Assembleia-Geral.

Art. 12.º
Todos os sócios têm direito a um cartão da associação APPh; o cartão identifica o sócio pela fotografia, o nome e o número do associado, assim como a assinatura de um membro da direcção.

Art. 13.º
A quota dos sócios é assim fixada:

a) Para os sócios Fundadores, Efectivos e Correspondentes em 30€ por ano podendo ser paga por uma só vez (adiantada), ou em duas prestações (adiantadas).
b) Os Sócios de Honra estão isentos de pagamento de quota e têm os mesmos direitos que os sócios efectivos.

Art. 14.º
Os Sócios Fundadores e os Efectivos podem reunir por uma só vez a sua contribuição, pagando 150€ e ficando isentos de qualquer pagamento futuro e com a classificação e direitos que tinham no acto do pagamento.

Art. 15.º
Perde-se a qualidade de sócio:

a) Pela demissão participada à Direcção.
b) Por falta de pagamento de quota, no final de cada ano e depois de aviso especial do tesoureiro da APPh.
c) Pela demissão em Assembleia-Geral, devidamente fundamentada em circunstâncias de ordem moral por motivos graves com direito a defesa pelo próprio ou por alguém por ele nomeado.
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Art. 16.º
A qualidade de sócio perdida nos termos no artigo antecedente pode ser readquirida na alínea a) sem nenhuma condição, na alínea b) por pagamento de um ano de quotas, e na alínea c) a qualidade de sócio não pode ser readquirida.

Art. 17.º
O sócio a que for permitido readquirir os seus direitos depois de os ter perdido, tomará a primeira vaga de sócio efectivo.



Cap. IV

Direcção – Presidente – Conselho de Administração – Assembleia-geral

Art. 18.º
São órgãos da associação a mesa da Assembleia Geral, a Direcção e o conselho Fiscal, eleitos por mandatos de três anos, podendo ser renováveis.

Art. 19.º
A mesa da Assembleia-Geral é constituída por um Presidente, um Vice-Presidente e um Secretário, competindo-lhes:

a) Eleição dos titulares dos órgãos da associação e a destituição dos mesmos.
b) Aprovação dos regulamentos dos órgãos sociais
c) Os processos eleitorais
d) Admissão de novos sócios
e) Aprovação do relatório anual, balanço e contas
f) Alteração de estatutos
g) Extinção da associação e a autorização para esta demandar os Directores por factos praticados no exercício do cargo.

Art. 20.º
A Direcção é constituída por um Presidente, um Vice-Presidente e um Secretário Geral, competindo-lhe a gestão e a administração da Associação.

Art. 21.º
O Presidente representa a APPh. em juízo e em todos os actos oficiais.
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Art. 22.º
O Conselho Fiscal é constituído por um Presidente, um Vice-Presidente e um Vogal, competindo-lhe fiscalizar a actividade, a escrituração e documentos da associação, dando parecer sobre o relatório, balanço e contas apresentado pela Direcção.


Cap. V

Recursos e património da APPh.

Art. 23.º
Os recursos da APPh. são:

a) As quotizações, donativos, doações e legados
b) Dos proventos dos direitos de utilização de peças do seu acervo fotográfico
c) Dos proventos de merchandising da APPh. e das suas edições
d) Os subsídios que lhe possam ser atribuídos
e) De eventuais patrocínios de Empresas privadas e públicas
f) A venda do seu património e valores de toda a natureza

Art. 24.º
Nenhuma edição pode ser publicada em nome da associação sem ter sido
aprovada pela Direcção da APPh.

Art. 25.º
No caso de extinção da Associação, o activo da associação é atribuído, por deliberação da Assembleia Geral, a uma instituição pública ou privada que se ocupe da fotografia.

Art. 26.º
No caso de extinção da Associação, o activo da associação é atribuído,
deliberação da Assembleia Geral, a uma instituição pública ou privada que se ocupe da fotografia

Art. 27.º
Os casos omissos nestes estatutos serão regulados pelas disposições do Código civil, relativas às Associações.
Art. 28. º
Enquanto não estiverem eleitos os órgãos sociais ficará designada no acto da
constituição da Associação uma comissão instaladora, dotada dos poderes que correspondem aos órgãos sociais e que em particular deverá preparar e assegurar a realização dos actos eleitorais necessários ao preenchimento daqueles órgãos, no período máximo de seis meses após a constituição da Associação.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

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.II Encontro APPh.

APPh. - Associação Portuguesa de Photographia
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..........Justificam-se plenamente algumas palavras a antecederem este almoço. Em primeiro lugar quero agradecer-vos terem vindo a este encontro, que se realiza pela segunda vez o que, desde já, perspectiva futuros convívios. No fundamental estamos aqui para nos conhecermos uns aos outros, trocarmos ideias, expormos sonhos e também algumas coisas concretas, já agora!
..........Tenho entre as coisas concretas a expor-vos, o sonho de criarmos uma associação que galvanize e facilite a troca de ideias e informações sobre as coisas que são, na verdade, os melhores momentos das nossas vidas, aqueles que dizem directamente respeito àquilo de que gostamos. É por isso que vos quero anunciar neste almoço que a APPh. – Associação Portuguesa de Photographia vai ser uma realidade. Começaremos com um sítio na net e achamos importante aproveitar a oportunidade que a blogosfera nos oferece para chegarmos aonde a luz chegar... Trocando em miúdos, queremos ter um site e/ou um blog e um endereço electrónico, vulgar e-mail. Iremos ter um núcleo de fundadores, elaborar estatutos, simples que não obriguem às loucuras habituais dos portugueses que se julgam todos juristas. Estatutos que nos facilitem a vida e não o contrário. Já pensei numa sede e na sua localização: Braga, Porto, Coimbra, Setúbal, Évora... Para ser sincera, Lisboa pareceu-me a cidade que nos levantaria menos problemas para nos reunirmos. No entanto, lembrei-me que o atelier fotográfico de Carlos Relvas na Golegã podia ser um excelente sitio para acolher a sede de uma associação como a que nos propomos constituir. A possibilidade de a sede poder estar nesse património único na Europa, que é o atelier de Carlos Relvas que já se encontra recuperado como património mas que ainda não tem solução para uma actividade própria, como polo aglutinador de investigadores em fotografia, apenas se justificaria como contributo para resolver um problema e não como agente para a dificuldade que tem existido à volta de um desfecho para este espaço. Podíamos ter uma sede nominal numa outra cidade qualquer que ela fosse! Não considero isto um dilema.
..........Nada disto é definitivo nem o nome (APPh.), nem a opção por um sitio e/ou um blog, nem a localidade da futura sede; tudo isto virá a ser conversado com o corpo iniciador, porque a democracia é mesmo assim! Para isto estou a contar com a colaboração de um núcleo de fundadores e posteriormente todos que queiram participar nesta aventura.
..........Ainda uma achega em guisa de opinião, penso que seria vantajoso que a associação não fosse dirigida apenas à fotografia antiga, parece-me artificial a clivagem entre os sais de prata e o digital. Os benefícios dos conhecimentos históricos de investigadores, técnicos e coleccionadores são fundamentais para o todo da fotografia portuguesa assim como não consigo pensar na fotografia contemporânea sem o conhecimento da sua história, tal como sucede com as outras artes. Julgo poder ser positivo emparelhar o trabalho de Joshua Benoliel com a actividade de Rui Ochôa, os trabalhos do Cmdt. António José Martins com as fotografias de um Paulo Nozolino, as casas fotográficas da viragem do séc. XIX para o séc. XX e os actuais estúdios de fotografia de moda e publicidade. Com todo o respeito pelos pioneiros da fotografia em Portugal, de cujos trabalhos estou mais próxima, a verdade é que também me interessam aqueles que se lhes seguiram e como não podia deixar de ser aqueles dos quais somos contemporâneos, tanto um Gerárd Castello Lopes ou um Fernando Lemos como Helena Almeida, Manuel Casimiro, Julião Sarmento, Jorge Molder ou Daniel Blaufuks e muitos outros.
..........Muito do que se tem feito em prol da fotografia em Portugal deve-se a alguns dos presentes neste almoço, tanto na área da História e Investigação como na do restauro, conservação e organização da nossa memória fotográfica. Também estão entre nós responsáveis por aquisições e exibições de novos fotógrafos e núcleos fotográficos, indispensáveis para a história da nossa fotografia; e por fim, os pequenos coleccionadores, devoradores de feiras, mercados e alfarrabistas; sem eles muito património teria desaparecido para sempre.
..........Convidámos os fotógrafos Paulo Catrica e Marta Sicurella, para aqui estarem também representantes da nova fotografia, podiam ser outros, mas não podiam ser todos. Gostaríamos de poder contribuir para criar mais condições para o seu trabalho.

Ângela Camila Castelo-Branco .................................................................................Lisboa 21 de Outubro de 2006



Dos sais de prata ao digital

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Quem está de acordo com a sugestão da Ângela Camila que consiste na fundação de uma Associação, conforme vem descrito no memorando por ela distribuído?

Ass. António Barreto, Isabel Corte-Real, Alexandre Ramires, Sergio Gomes, Maria José Palla, Mafalda Ferro, Pedro Franco, Mário Cámeira, António Pedro Vicente, João José Clode, Isabel Soares Alves, Marta Sicurella, Pedro Aguilar, João Loureiro, António Ramires, António Faria, Ângela Camila.

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Concorda com a criação de um blog e eventualmente um site?
Está disponível para Colaborar?


Ass. António Barreto, Isabel Corte-Real, Alexandre Ramires, Sérgio Gomes, Maria José Palla, António Ramires, Mafalda Ferro, Pedro Franco, Mário Cámeira, João José Clode, Isabel Soares Alves, Marta Sicurella, João Loureiro, Teresa Margarida Rebelo, António Faria, Ângela Camila.

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Quem está disponível para colaborar na organização e fundação da Associação

Ass. António Barreto, Isabel Corte-Real, Alexandre Ramires, Sergio Gomes, Maria José Palla, Mafalda Ferro, Pedro Franco, Mário Cámeira, António Pedro Vicente, João José Clode, Isabel Soares Alves, Marta Sicurella, João Loureiro, António Ramires, António Faria, Ângela Camila.


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