quinta-feira, abril 19, 2007



Fotografia: Carlos Lobo (b.1974). Surfaces study 01. 2005. "Surfaces serie". ed. 1/2. 50 x 50cm.

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Leilão de Fotografia


Já lá vai algum tempo desde o primeiro leilão de fotografia de 1 de Junho de 2006. O catálogo, prefaciado por António Barreto, apresentava na capa uma fotografia de cavaleiros na lezíria ribatejana da autoria de Carlos Relvas, que foi comprada, praticamente pela base de licitação, por um coleccionador do Porto. O episódio é aqui destacado pelo facto de ser uma fotografia de Carlos Relvas e ser a fotografia da capa do catálogo. No entanto, os leilões têm destas coisas. Nessa noite, muita gente terá ficado surpresa pelo sucesso do evento. Confesso que não foi o meu caso. Surpreendeu-me, isso sim, o enorme profissionalismo com que este leilão e o outro que se lhe seguiu foram organizados. Nem parecia que estávamos em Portugal. Muitas vezes, estas iniciativas são pautadas por algum amadorismo e desorganização. Não foi o caso. Quantos de nós já assistimos a leilões sem qualquer conforto, em espaços que mais pareciam vãos de escada? A Potássio Quatro, com os primos Trindade, levou à praça, neste primeiro leilão, entre outras curiosidades: um álbum com a visita presidencial de Óscar Carmona às províncias ultramarinas; um retrato de Arpad Szenes e Vieira da Silva da autoria de Denise Colomb; uma caixa com positivos em vidro, de grandes dimensões, sobre S. Tomé e Príncipe no final do século XIX; e o livro “Lisboa, Cidade Triste e Alegre”, (1959) de Victor Palla e Costa Martins. A sala no CCB estava a transbordar, muitos ficaram de pé. No final, o regozijo era generalizado e percebia-se a satisfação entre organizadores e o público. O primeiro embate estava ganho.

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O segundo leilão, fez-se também no CCB, no dia 9 de Novembro de 2006, agora numa sala maior e com projecção em tela gigante das imagens em praça. Decorreu, pela primeira vez, em linha (online), o que permitiu acompanhar, à distância e em tempo real o que se passou na sala. O catálogo, prefaciado por Eduardo Nobre, ostentava na capa um cartão cabinet com Fernando Pessoa em Durban, com 10 anos de idade, dedicado à “querida tia Lisbella”. Esta peça foi arrematada por 10 mil euros. Isto, por si, prova apenas o crescente interesse por estes leilões e dá-nos sinais de uma manifesta viabilidade. Foi à praça, no lote 118, um espólio interessantíssimo de Moses Bensabat Amzalak (1892-1978), Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa. Este segundo leilão estava bem encaminhado com maior diversidade, peças muito interessantes a preços muito generosos, mas que acabaram por ser retiradas (por exemplo, a fotografia da Rainha D. Amélia com os Príncipes, fotografados frente às pirâmides de Gizé). Inexplicavelmente, correu menos bem que o primeiro, com alguns lotes a serem retirados, mas os seus impulsionadores não esmoreceram.




Familia real no Egipto. Fotografia atribuída a Enrique Casanova (1850-1913), captada em Abril de 1903 (papel de revelação).


No dia 12 de Maio, a senda continua. Às quatro da tarde, vai ouvir-se o martelo que dará início ao terceiro leilão de fotografia da Potassio Quatro. No CCB na “sala laman”, com catálogo mais ecléctico do que os anteriores, muito diversificado e com peças de maior qualidade. Fotografia do séc. XIX, fotografia moderna, máquinas fotográficas antigas, livros, cartazes e outros objectos ligados à fotografia. Lá estarão os coleccionadores e também os negociantes do ramo. Para ver e para comprar, lá estarão representantes de instituições públicas e privadas, cada vez mais interessadas nestes eventos. Nem podia ser de outra maneira. Se houve tempos em que estes acontecimentos podiam passar ao lado das instituições, hoje isso é cada vez mais difícil. Lá estará a fotografia como arte, como documento histórico, ou ambas as coisas, arte e documento. De todo o modo, como objecto de colecção, a suscitar paixões. A informação sobre o leilão está completamente disponível em linha (online), em http://www.potassioquatro.com, num design bonito, graficamente apelativo, inovador, muito sugestivo e de grande simplicidade na consulta. O público terá à sua disposição um CD com (catálogo em PDF, imagens JPG e um auction - vídeo) por 10 €. Estará também à venda um catálogo de edição limitada (colorido, assinado e numerado de 1 a 100, com capa especial em acid-free e um CD – Multimédia) por 90 €. O facto de esta edição ser limitada torna-a a partir de logo uma peça de colecção. Salta à vista o arrojo dos primos Trindade. Cabe-nos agora a nós estarmos à altura da sua coragem, marcando presença no dia 12 de Maio de 2007 no CCB.

Angela Camila Castelo-Branco

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Lote 2 - Foto Aurea Tecnica: DOP - Developing- out paper. Fernando Pessoa. Fotografia emblematica do poeta quando director da revista "Orpheu".. 23.6 x 17.4cm.


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FINALMENTE

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20 de Abril de 2007

Casa Museu de Carlos Relvas, na Golegã

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domingo, abril 15, 2007

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APPh. - Associação Portuguesa de Photographi@


Foi criada no dia 13 de Abril a Associação Portuguesa de Photographi@. Cem anos depois de ter sido fundada a sua antecessora, a Sociedade Portuguesa de Photographia.
No Cartório Nacional de Georgina Martins, em Lisboa, assinaram a escritura de fundação e legalização os seguintes doze sócios fundadores: Alexandre Ramires, Ângela Camila, António Barreto, António Faria, António Pedro Vicente, Carlos Miguel Fernandes, João Clode, João Loureiro, José Pessoa, Madalena Lello Colaço, Sérgio Gomes e Vitória Mesquita. A associação conta já com várias dezenas de futuros sócios fundadores.

Sem propósitos de especulação comercial nem fins lucrativos, a APPh tem como objectivos o estudo histórico e o progresso científico e artístico da fotografia nas suas implicações técnicas, históricas e sociológicas e aplicações científicas e artísticas, designadamente a investigação sociológica e histórica da imagem fotográfica; a memória fotográfica e a sua preservação; a aplicação de métodos de inventariação e catalogação; a investigação estética e artística inclusivamente na fotografia moderna.
A Associação procurará dignificar o património fotográfico nacional, estimular a organização de uma biblioteca e de um centro de documentação. Assim como se esforçará por organizar exposições, cursos, conferências e colóquios. A APPh pretende ainda contribuir para o fomento do ensino da fotografia em todos os níveis e graus de ensino.


A APPh. criará também, logo que possa, uma página na net (website) http://www.apphotographia.com/ com o fim específico de servir de ligação e de informação sobre as actividades da associação.

Podem contactar-nos através do E-mail apphotographi@gmail.com

Lisboa, 15 de Abril de 2007

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Acto de escritura da Associação Portuguesa de Photographia

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sábado, abril 14, 2007


"Afinal, Carlos, depois de fechar a porta, pediu-lhe que fosse pessoalmente a Ruão a fim de saber quais poderiam ser os preços de um bom daguerreótipo; era uma surpresa sentimental que reservava à sua mulher, uma atenção fina, o seu retrato, de casaca. Mas queria primeiro saber, para fazer os cálculos; essas passadas não deviam custar muito a Leão, porque era rara a semana que não ia à cidade."
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Gustave Flaubert (1821-1880), Madame Bovary

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O daguerreótipo foi a primeira forma popular de fotografia. O termo pode designar o resultado final ou o processo, o qual se caracterizava por produzir provas únicas de elevada qualidade. A sua invenção foi comunicada ao mundo no dia 6 de Janeiro de 1939 (19 de Agosto foi a data oficial do anúncio e da divulgação dos pormenores do processo) pela Academia de Ciências francesa.
O invento (e a sua designação) ficarão para sempre associados ao nome de Louis-Jacques Mandé Daguerre (1787-1851), mas a injustiça é evidente se nos lembrarmos que foi Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) quem desenvolveu as bases teóricas, técnicas e científicas do processo.


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C. Laguiche. Joseph Nicéphore Niépce. ca 1795. Aguarela. 18.5 cm de diametro. Daguerreótipo de Daguerre.
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Enquanto a Fotografia que nos habituámos a conhecer até à chegada da era digital se baseava no princípio do negativo-positivo e nas inúmeras reproduções que podiam ser feitas a partir de uma imagem, o daguerreótipo resultava num exemplar único em positivo com uma óptima definição de pormenores. E se este apuro lhe garantiu uma popularidade inabalável durante os anos quarenta do século XIX, relegando o negativo-positivo para uma evolução paralela com poucos adeptos entre os profissionais, o carácter único das provas acabou por ser umas das causas do seu declínio quando o processo concorrente se aperfeiçoou até chegar a um nível que satisfez os fotógrafos. Estes, maioritariamente envolvidos no negócio do retrato e bem servidos pelo daguerreótipo, não estavam interessados nas imperfeições e nos longos tempos de exposição inerentes aos primeiros passos do processo alternativo e exigiam mais.


William Talbot fotografado por


O pioneiro do método fotográfico baseado no princípio negativo-positivo foi o inglês William Henry Fox Talbot (1800-1877). A técnica que Talbot desenvolveu envolvia imagens em negativo e reproduções em positivo, ambas sobre papel, mas a fraca definição das provas finais e a impossibilidade de utilização livre do método (Talbot patenteara a sua invenção e exigia o pagamento de direitos de autor a quem utilizasse comercialmente o seu método fotográfico) mantiveram a calotipia, também conhecida por talbotipia, e outras técnicas herdeiras do processo longe da preferência dos fotógrafos profissionais durante mais de uma década. No entanto, o seu paradigma acabaria por vingar, dominando grande parte da História da Fotografia; a daguerreotipia como método preferido pelos fotógrafos profissionais acabaria por ser substituída durante os anos cinquenta do século XIX pelos negativos de colódio húmido em vidro e provas de albumina.


Frederick Scott Archer 1813-1857.
Inventor do Processo em Colódio Húmido.

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Foi Frederich Scott Archer (1813-1857) quem deu o derradeiro impulso na queda da daguerreotipia, ao usar colódio húmido em vez da habitual albumina na ligação dos sais de prata ao vidro, aumentado a qualidade das reproduções e diminuindo as dificuldades técnicas. No entanto, a albumina continuou a ser usada no papel para as provas em positivo durante mais algumas décadas, até ser substituída pelo papel de fabrico industrial nos anos oitenta do século XIX.
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"O Colódio Húmido foi um processo fotográfico negativo em vidro, introduzido por Frederic Scott Archer em 1851. Foi o processo mais utilizado até 1875. A chapa era coberta com uma solução de colódio e iodeto de cádmio e enquanto húmida era imersa numa solução de nitrato de prata. Após um ou dois minutos a chapa era colocada no chassis e exposta numa máquina fotográfica durante alguns segundos ou minutos. Imediatamente após a exposição a chapa era revelada em àcido piroglico ou em sulfato ferroso, lavada, fixada em hiposulfito de sódio, lavada de novo e posta a secar. Todo o processo tinha que decorrer enquanto o colódio estava húmido, porque quando seco o colódio não é permeável ao revelador, nem ao fixador. Os fotógrafos eram obrigados a transportar consigo uma câmara escura para onde quer que fossem, e executavam todas as operações no local. As câmaras escuras portáteis tornaram-se características deste processo. As chapas de colódio apresentam uma cor esbranquiçada e uma distribuição de colódio irregular, especialmente nos bordos.", in http://www.lupa.com.pt/gloA.htm
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Hippolyte Bayard, Autoportrait en noyé, 1840

Um resumo dos primórdios da História da Fotografia não pode estar completo sem o nome de Hippolyte Bayard (1801-1887). Bayard, o mais ignorado dos quatro inventores da Fotografia, foi também esquecido pela Academia das Ciências francesa que, em 1839, e protegendo Daguerre, só lhe atribuiu uma bolsa de 600 francos pelas suas descobertas (Daguerre e Isidore Niépce, filho de Joseph Niépce, conseguiram rendas vitalícias de 6000 e 4000, respectivamente). Ficou para História da Fotografia o auto-retrato apócrifo de Bayard, onde este escreveu: Le gouvernement qui avait beaucoup trop donné à M. Daguerre a dit ne rien pouvoir faire pour M. Bayard et le malheureux s'est noyé. (O governo, que deu demasiado ao senhor Daguerre, disse nada poder fazer em favor do senhor Bayard e o infeliz afogou-se.)


Carlos Miguel Fernandes
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quinta-feira, abril 05, 2007

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Daniel Blaufuks - SOB CÉUS ESTANHOS
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Sob Céus Estranhos é uma meditação evocativa sobre a experiência dos refugiados DA Europa Central e sobre um sentimento de dispersão em trânsito na cidade de Lisboa e nos seus arredores. É uma descoberta comovente, positivamente modesta e humana do espaço, do tempo e do desenraizamento, transmitidos de geração em geração, dos avós que partiram da Alemanha para Portugal, para os pais, para o neto. Poucos refugiados permaneceram em Portugal depois de a guerra acabar, mas os avós de Blaufuks, ao contrário de tantos outros, decidiram não seguir viagem ou voltar para a Alemanha.
Tendo crescido em Lisboa, no quinto andar do mesmo prédio onde moravam os seus avós, Daniel Blaufuks viveu a infância imerso num universo de vestígios dessa experiência dos refugiados – um mundo de alusões, fotografias, alguns objectos, comidas, costumes e memórias que não eram as suas, mas que acabariam por o atrair e marcar de forma indelével.
Utilizando algumas dessas reminiscências, bem como filmes da época e de família, excertos de memórias e textos de refugiados, relatos de família e materiais de arquivos europeus e americanos, Blaufuks oferece-nos um vivido documento com uma bela imagem sobre um momento significativo da história do século XX.
O resultado – belo, delicado – é testemunho de uma importante, ainda que muitas vezes menosprezada, verdade. Apesar da natureza imperfeita, apesar da sua incapacidade para captar e comunicar a experiência através da memória, a transmissão entre gerações é envolta em valores e em lições que podem efectivamente passar de pessoa para pessoa, de geração para geração, através dos tempos.

Leo Spitzer, professor de História, Dartmouth College




Terça-feira, dia 10 de Abril, às 18h30 na Fnac do Chiado

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